Rodoviários do Rio rejeitam proposta e mantêm greve; negociações serão individuais

Rodoviários do Rio de Janeiro rejeitam proposta de reajuste de 5% e mantêm greve. Negociações agora serão individuais com cada empresa, com possibilidade de paralisações pontuais.

Rodoviários do Rio rejeitam proposta e mantêm greve; negociações serão individuais

Em assembleia realizada na tarde desta quinta-feira (23/07), cerca de 250 rodoviários da capital fluminense decidiram, por unanimidade, rejeitar a proposta apresentada pelo Rio Ônibus, sindicato patronal do setor. A proposta previa um reajuste salarial de 5% e um aumento de 6% na cesta básica, considerados insuficientes pela categoria.

Com a rejeição, o estado de greve foi mantido. No entanto, os rodoviários mudarão sua estratégia de negociação. Em vez de buscar um acordo unificado com o Rio Ônibus, o Sindicato dos Rodoviários passará a negociar diretamente com cada empresa de ônibus individualmente. A expectativa é que essa abordagem torne o processo mais ágil e eficaz.

## Paralisações Pontuais e Cobranças na Justiça

Embora uma greve geral imediata tenha sido descartada, a categoria não descarta a possibilidade de paralisações pontuais. Essas interrupções podem ocorrer em garagens de empresas específicas onde os acordos individuais travarem ou onde forem identificadas irregularidades trabalhistas. O presidente do sindicato, Sebastião José, indicou que, caso as propostas não sejam aceitas, pode haver paralisações em determinadas empresas, o que, segundo ele, causaria menos transtornos à população.

Além disso, o sindicato anunciou que acionará a Justiça do Trabalho para cobrar o pagamento do chamado "tempo de placa". Este se refere aos 30 minutos diários em que os motoristas ficam à disposição nos pontos finais para receber passageiros, tempo que, segundo a categoria, vem sendo indevidamente subtraído ou não remunerado. O processo de dissídio coletivo continuará tramitando no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ).

## Exigências da Categoria

Em busca de melhores condições de trabalho e remuneração, os rodoviários apresentaram uma pauta de reivindicações mais robusta. Entre as exigências estão:

- Reajuste salarial de 12%, a ser dividido em duas parcelas.

- Piso salarial de R$ 5 mil para motoristas de BRT e R$ 4 mil para demais motoristas.

- Vale alimentação no valor de R$ 1 mil.

- Inclusão de plano de saúde.

- Mudanças na escala de trabalho, com uma jornada de 7 horas e meia.

A audiência de conciliação realizada na quarta-feira (22/07) no TRT-RJ, que buscava um acordo entre rodoviários e empresas de ônibus, terminou sem consenso. Com a recusa da proposta patronal em assembleia, as negociações com o sindicato das empresas foram encerradas. O TRT deu um prazo de 10 dias para que as partes apresentem novas propostas, após o que a Justiça do Trabalho tomará uma decisão sobre o dissídio.