CPTM: Presidente acusa sindicato de descumprir ordem judicial em greve

Presidente da CPTM acusa sindicato de descumprir ordem judicial sobre efetivo mínimo em greve, sob risco de multa diária. Funcionários protestam contra concessão de linhas à iniciativa privada.

CPTM: Presidente acusa sindicato de descumprir ordem judicial em greve

O presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Michael Cerqueira, declarou nesta terça-feira (4) que o sindicato dos ferroviários não está cumprindo uma decisão judicial que determina a presença de pelo menos 80% do efetivo nas estações durante os horários de pico nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. A determinação, emitida pelo Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo (TRT-SP), também estabelece um mínimo de 60% de empregados na operação nos demais períodos, sob pena de multa diária de R$ 400 mil ao Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB).

## Greve e Descumpimento da Ordem Judicial

Segundo Cerqueira, a CPTM registrou 67% de efetivo operacional nos horários de pico da manhã, mas ressaltou que esse percentual não está sendo respeitado pelos grevistas. Ele explicou que a estratégia da companhia era reabrir as estações gradualmente conforme os funcionários se apresentassem em suas escalas normais, mas a falta de cumprimento da decisão judicial impede esse avanço. "A nossa estratégia era ter as estações sendo abertas de forma gradativa, conforme esse percentual de funcionários fossem entrando nas suas escalas naturais para respeitar o que foi determinado pela Justiça. Como isso não vem acontecendo, a gente não tem conseguido avançar em abrir novas estações", afirmou em entrevista ao Bom Dia SP, da TV Globo.

O presidente da CPTM apelou para a consciência da categoria, pedindo que a população não seja prejudicada. Ele destacou que o diálogo com o governo e a CPTM sempre esteve aberto e que houve esforços para atender às reivindicações. Cerqueira lamentou que uma pauta política esteja prejudicando o público e expressou a esperança de que, no pico da tarde, os trabalhadores retornem às suas funções com maior consciência.

## Motivações da Greve e Reivindicações

A greve, que afeta as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, foi deflagrada em protesto contra a concessão dessas três linhas à empresa privada Trivia Trens. Os funcionários reivindicam a reestatização definitiva das linhas, a garantia de todos os empregos na CPTM e a aprovação do Projeto de Lei (PL) nº 730/2025 na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Este PL, proposto pelo deputado Guilherme Cortez (PSOL) com apoio do governo, visa absorver os funcionários da estatal por órgãos públicos estaduais após as concessões.

O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil, que representa cerca de 4.700 empregados da CPTM, informou que apenas 11% dos funcionários das linhas concedidas foram transferidos para a nova empresa privada. Atualmente, a CPTM opera apenas a Linha 10-Turquesa, após a concessão de outras linhas durante a gestão anterior. A companhia está passando por um plano de demissão voluntária para gerenciar a saída de funcionários em comum acordo.

A Trivia Trens informou que conta com aproximadamente 2.400 colaboradores, sendo 2.100 dedicados à operação e manutenção das linhas. Deste total, cerca de 230 (aproximadamente 11%) são ex-funcionários da CPTM. A empresa afirma que os demais 90% de profissionais passaram por mais de 1.300 horas de treinamento prático e teórico.