Vídeos de Notícias: Demanda Cresce Globalmente, Revela Estudo

Estudo revela aumento na demanda por vídeos jornalísticos globalmente, impulsionado por jovens e plataformas como YouTube e redes sociais. Formatos longos também ganham espaço.

Vídeos de Notícias: Demanda Cresce Globalmente, Revela Estudo

A popularidade dos vídeos jornalísticos está em ascensão, contrariando receios de veículos de mídia que vivenciaram o chamado 'pivot to video' há uma década. Um estudo recente aponta para uma demanda crescente por esse formato, impulsionada significativamente por plataformas como TikTok, mas sem se limitar a conteúdos curtos.

## Expansão Além da Europa e América do Norte

Ao analisar o consumo de vídeos de notícias, observam-se taxas expressivas na Ásia e América Latina, superando as registradas na Europa e América do Norte. Na Ásia, aproximadamente 47% dos entrevistados consomem vídeos de notícias semanalmente no YouTube, índice significativamente maior que os 24% na Europa. Da mesma forma, 47% na América Latina utilizam o Facebook para esse fim, comparado a 28% na América do Norte.

Diversos fatores explicam essa disparidade, incluindo a alta penetração de smartphones e o uso intensivo de redes sociais no Sul Global. No entanto, a idade da população emerge como um elemento crucial, com países de demografia mais jovem ditando tendências emergentes no consumo de informação.

## Redes Sociais Lideram Acesso à Informação

Pela primeira vez, o Relatório de Notícias Digitais (Digital News Report) indica que as redes sociais se tornaram o principal meio de acesso a notícias globalmente, ultrapassando a televisão e os próprios sites de veículos jornalísticos. Esse declínio da TV e dos sites tradicionais consolida as redes sociais e plataformas de vídeo como a principal porta de entrada para a informação.

A juventude é a grande força motriz por trás dessa tendência. Jovens de 18 a 24 anos, que cresceram imersos em um ambiente digital, demonstram um distanciamento notável dos formatos tradicionais. Mais da metade desse grupo (56%) globalmente afirma nunca ler jornais impressos semanalmente, e 21% nunca assistiram regularmente a telejornais. Para eles, a internet e, predominantemente, as redes sociais são os canais de escolha para consumir notícias em vídeo.

## Oportunidades e Desafios para o Jornalismo

Embora essa mudança represente uma preocupação para veículos de mídia quanto à diversificação de fontes de receita, especialmente pela dependência de plataformas de terceiros para distribuição de conteúdo, o avanço dos vídeos jornalísticos digitais não é visto como um retrocesso, mas sim como uma oportunidade para inovação.

O estudo também destaca que a demanda por vídeos de notícias não se restringe a formatos curtos. O YouTube, em particular, registra um interesse considerável por conteúdos mais longos, especialmente entre o público jovem. Quase um quarto (23%) dos usuários que assistem a vídeos de notícias na plataforma consomem conteúdos com mais de 20 minutos, um índice superior ao observado no Instagram e TikTok, onde formatos curtos predominam.

## Mudança de Hábitos e o Papel das Smart TVs

O comportamento dos usuários de YouTube varia conforme a idade, com os mais jovens sendo mais propensos a assistir a vídeos longos de notícias, em contrapartida à preferência dos mais velhos por telejornais tradicionais. Essa migração para formatos e mídias com os quais se tem familiaridade é evidente, especialmente para as gerações nascidas após o ano 2000, que não cresceram com a rotina do telejornalismo linear.

A influência das Smart TVs é outro ponto relevante. Jovens utilizam esses aparelhos predominantemente para acessar aplicativos conectados à internet, como o YouTube. O consumo de vídeos de notícias via Smart TVs por aplicativos atinge 27% de todas as faixas etárias, com maior intensidade entre os mais jovens. Isso reforça a concentração da atenção do público em plataformas de terceiros e abre novas avenidas para a produção e distribuição de conteúdo jornalístico audiovisual.