Regulação e Taxação: Caminhos para Responsabilizar Empresas de IA

Diretor da Folha, Sérgio Dávila, defende regulação e taxação de empresas de IA, elogiando modelo europeu. Discute acordos com OpenAI e Google para combater apropriação de conteúdo.

Regulação e Taxação: Caminhos para Responsabilizar Empresas de IA

Sérgio Dávila, diretor de Redação da Folha, defendeu a regulação e a taxação como ferramentas essenciais para responsabilizar empresas de inteligência artificial (IA). A declaração foi feita durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no espaço CasaFolha, onde o debate abordou os impactos da IA no jornalismo e nas relações humanas.

Dávila criticou a influência de lobistas no Congresso e destacou o modelo regulatório da União Europeia como um caminho a ser seguido. Ele ressaltou que a UE iniciará a implementação de novas regras para sistemas de IA poderosos a partir de 2 de agosto, visando aumentar a transparência, limitar violações de direitos autorais e proteger a segurança pública. Exemplos de empresas sujeitas a essas regras incluem OpenAI, Microsoft e Google.

## IA e Jornalismo: Desafios e Acordos

O diretor de Redação também compartilhou as negociações que a Folha tem realizado com empresas como OpenAI e Google. Em maio, o jornal firmou um acordo pioneiro com a OpenAI, responsável pelo ChatGPT, para fornecer conteúdo jornalístico ao seu ecossistema. Segundo Dávila, esses acordos, cujos termos são sigilosos, são vantajosos para ambas as partes e visam impedir a apropriação indevida de reportagens pelas tecnologias sem a devida remuneração aos veículos.

A estratégia da Folha envolve um processo escalonado: primeiro, o diálogo; em seguida, notificações extrajudiciais; e, por último, ações judiciais. Esse método foi aplicado com a OpenAI, resultando em um acordo após um processo judicial iniciado em agosto de 2025. Uma parceria similar foi estabelecida com o Google em abril de 2026.

## Impactos Sociais da Inteligência Artificial

Carol Tilkian, colunista da Folha e psicanalista, complementou o debate ao analisar o uso da IA em relacionamentos amorosos, afetivos e terapêuticos. Ela alertou que a busca incessante por otimização de tempo e respostas, e o desejo pelo "melhor", podem ser prejudiciais às interações humanas autênticas. Tilkian mencionou que a tecnologia é frequentemente usada como ferramenta de desabafo e elaboração em um contexto de crescente distanciamento social, citando pesquisas que indicam que uma parcela significativa de brasileiros se sente pouco próxima de outras pessoas. Ela advertiu que o uso da IA como substituta terapêutica pode minimizar o atrito natural e necessário nas conversas humanas.