IA recria mortos e gera debate ético global

IA recria pessoas mortas gerando 'necromancia digital'. Especialistas alertam para dilemas éticos, manipulação e a necessidade de regulamentação.

IA recria mortos e gera debate ético global

A inteligência artificial tem sido usada para recriar imagens e vozes de pessoas falecidas, um fenômeno batizado de 'necromancia digital'. A prática ganhou força após a morte do ator Sam Neill e do fisiculturista Gabriel Ganley, com a criação de avatares digitais que geraram reações diversas. Especialistas alertam para os dilemas éticos, como a transformação do luto em produto e a criação de 'fantoches digitais' de quem não pode se defender.

Ferramentas de IA como ChatGPT e Claude facilitam a criação desses 'robôs de luto', utilizando 'restos digitais' de falecidos. A filha de Pelé, Flávia Christina, já expressou desconforto com vídeos que recriam seu pai. Casos notórios incluem a recriação de Paul Walker em 'Velozes e Furiosos 7' e Peter Cushing em 'Star Wars', além de uma campanha da Volkswagen com Elis Regina.

A regulamentação sobre o uso de IA para recriar pessoas mortas ainda é incipiente, gerando riscos de manipulação para fins políticos ou comerciais. Especialistas defendem a criação de leis que estendam direitos da personalidade após a morte e limitem o uso de dados digitais para personificação, enquanto a indústria do 'grief tech' avança na criação de versões virtuais de falecidos.