IA nas Empresas: Falta de Estratégia Trava Lucros

Especialista aponta que a falta de estratégia clara, adoção inadequada e escassez de talentos impedem o retorno financeiro da IA nas empresas brasileiras. Regulamentação incerta também contribui para o cenário.

IA nas Empresas: Falta de Estratégia Trava Lucros

A inteligência artificial (IA) ainda não entrega o retorno econômico esperado por muitas empresas, um cenário que Lucas Reis, especialista em tecnologia e estratégia digital, atribui a desafios estruturais e comportamentais. Segundo ele, a ausência de ganhos de produtividade generalizados na economia é uma questão de tempo e adaptação, mas as companhias precisam superar obstáculos significativos.

## Barreiras na Implementação

Reis identifica três erros comuns que impedem o sucesso da IA nas corporações. O primeiro é a adoção "de baixo para cima", na qual a liderança não se engaja ativamente com a tecnologia antes de sua implementação. Em seguida, a falha em modificar fluxos de trabalho existentes ao introduzir ferramentas de IA, o que perpetua ineficiências. Por fim, a carência de uma governança clara para mitigar riscos relacionados à propriedade intelectual, segurança de dados e falhas em decisões automatizadas é um ponto crítico.

A escassez de profissionais qualificados para gerenciar e operar a IA representa outro gargalo. A consultoria IDC projeta que mais de 90% das empresas enfrentarão uma carência crítica de talentos em IA até o final de 2026. Nos Estados Unidos, o número de trabalhadores em funções que exigem proficiência na área deve saltar de 1 milhão em 2023 para 7 milhões em 2025, segundo a McKinsey.

## Perspectivas e Regulação

Apesar do ceticismo em relação ao retorno imediato, grandes empresas de tecnologia continuam a investir pesadamente em infraestrutura de IA. O setor de desenvolvimento de software já demonstra um aumento de produtividade, adaptando fluxos de trabalho para que agentes de IA auxiliem programadores na escrita de código em larga escala. Contudo, a incerteza jurídica sobre propriedade intelectual e responsabilidade civil ainda freia uma adoção mais acelerada.

No Brasil, o avanço do Marco da IA no Congresso Nacional, atualmente em análise na Câmara após aprovação no Senado, busca fornecer um respaldo normativo. A expectativa de votação final apenas após as eleições de 2026 deixa o país em um limbo regulatório, com a ANPD atuando como principal órgão regulador por meio da LGPD. A governança de dados é vista como um fator essencial para acelerar a produtividade, ao prevenir problemas que abalam a confiança na tecnologia e interrompem a transformação digital. A percepção geral é que tanto a tecnologia quanto sua regulamentação chegam antes que as estruturas empresariais e sociais estejam totalmente preparadas para seu pleno aproveitamento.