IA: Metade das empresas que demitiram por automação vai recontratar até 2027
Metade das empresas que demitiram funcionários por causa da IA deverão recontratar até 2027, aponta pesquisa do Gartner. Limites da tecnologia e necessidade de toque humano impulsionam reversão.

A promessa de redução de custos com pessoal através da inteligência artificial (IA) pode estar prestes a enfrentar uma reviravolta. Uma pesquisa recente do Gartner indica que, até 2027, metade das empresas que demitiram funcionários alegando a automação por IA deverão recontratar para funções similares, ainda que sob novas designações de cargo. A consultoria aponta que o discurso sobre o impacto da IA na força de trabalho pode ter superado a realidade.
## Limites da IA e Necessidade de Talento Humano
Kathy Ross, analista sênior do Gartner, explica que as recentes reduções de quadro foram, em grande parte, motivadas por condições econômicas gerais, e não exclusivamente pela automação. "À medida que as organizações se deparam com os limites da IA e com as crescentes expectativas dos clientes, precisarão reinvestir em talentos humanos para manter a qualidade do serviço e o crescimento", afirma Ross. A especialista Emily Potosky complementa que a IA ainda não atingiu a maturidade necessária para substituir completamente a experiência, empatia e o discernimento oferecidos por profissionais humanos, tornando a dependência exclusiva da tecnologia prematura e potencialmente arriscada.
## ROI e Casos Reais de Recontratação
Uma outra pesquisa do Gartner, divulgada em maio, revelou que, embora cerca de 80% das empresas que testam ou implementam capacidades autônomas relatem cortes na força de trabalho, esses cortes nem sempre se traduzem em retorno sobre o investimento (ROI). O levantamento, que ouviu 350 executivos globais, indicou que a ausência de um ROI claro levanta questionamentos sobre a eficácia da substituição total de humanos por IA.
O fenômeno do "efeito bumerangue" já começa a se manifestar em casos reais. A fintech sueca Klarna, que em 2024 anunciou que seu chatbot de IA substituiria 700 agentes de atendimento, projetando lucros adicionais, viu-se forçada a recontratar pessoal humano após queda na qualidade do serviço e insatisfação dos clientes. O CEO da empresa admitiu publicamente que a busca excessiva por eficiência e custo levou a empresa "longe demais". Similarmente, o Commonwealth Bank of Australia reabriu vagas em seu call center após semanas de queda na qualidade do atendimento e aumento no volume de chamadas, após uma substituição de 45 postos por um sistema de voz baseado em IA.