IA: Gigantes da Nuvem Dominam Faturamento, Laboratórios Lucram Menos

Relatório da Exponential View revela que 82% dos US$ 110 bilhões em receita de IA vão para empresas de nuvem. Assinaturas de apps e modelos diretos somam 18%, com laboratórios de IA lucrando menos.

IA: Gigantes da Nuvem Dominam Faturamento, Laboratórios Lucram Menos

Um novo relatório da Exponential View, empresa britânica de análise de informações, lança luz sobre a distribuição de lucros no mercado de inteligência artificial (IA). Segundo o estudo, que analisou o faturamento acumulado nos 12 meses entre o segundo trimestre de 2025 e o primeiro deste ano, o setor de IA gerou US$ 110 bilhões. Deste montante, uma esmagadora maioria de 82% foi destinada às empresas de nuvem e infraestrutura de servidores.

As assinaturas de aplicativos de IA, como ChatGPT e Claude, representam 7% do faturamento total, enquanto a compra direta de modelos de IA responde por 11%. Essa divisão de receitas explica as estratégias de diferentes players no mercado global, incluindo a disputa entre Estados Unidos e China.

Existem duas formas principais de acesso à IA: por meio de assinaturas de aplicativos, que custam em média US$ 20 mensais para o usuário comum, ou por conexões diretas com os servidores de empresas como OpenAI, Anthropic e Google, modalidade preferida por corporações. Enquanto as assinaturas para pessoa física representam 7% do faturamento, a conexão direta com servidores fatura 11%.

Somando a participação das assinaturas de apps e a compra direta de modelos, os laboratórios de IA, que desenvolvem as tecnologias e ganham fama pelas inovações, ficam com apenas 18% do faturamento total. Essa proporção tem aumentado lentamente, cerca de 1 a 2 pontos percentuais por ano, mas ainda é significativamente menor que a fatia das provedoras de infraestrutura.

Essa dinâmica gera interesses distintos entre os participantes. Empresas como Anthropic e OpenAI competem pelo mercado de desenvolvimento de modelos, enquanto o Google, além de oferecer seus próprios serviços de IA, também atua como provedor de infraestrutura para concorrentes através do Google Cloud, obtendo lucros substanciais dessa dualidade.

O relatório também aponta que a atração de parques de IA para o Brasil, como o anunciado pela ByteDance no Ceará, representa uma oportunidade de gerar impostos sobre o segmento mais rentável do negócio: a infraestrutura.

No contexto chinês, a estratégia difere. Muitos laboratórios oferecem modelos de IA com pesos abertos e gratuitos, como um modelo recente capaz de competir com os americanos em cibersegurança. O lucro vem da cobrança pelos servidores que rodam essas IAs, muitas vezes de propriedade de empresas chinesas. Essa abordagem pressiona os concorrentes americanos, que precisam inovar constantemente para justificar seus preços, enquanto a existência de alternativas chinesas mais acessíveis limita o aumento de custos para os consumidores.

A aposta de empresas do Vale do Silício reside na crença de que a IA superará a inteligência humana, conferindo uma vantagem permanente a quem detiver o modelo mais avançado. Os chineses, por outro lado, apostam que os modelos de IA se tornarão commodities, com o verdadeiro valor residindo no hardware que os executa.