Fusão nuclear: EUA e China lideram corrida global por energia limpa
EUA e China lideram investimentos bilionários em fusão nuclear, buscando energia limpa e ilimitada. Startups inovadoras e gigantes da tecnologia impulsionam a corrida, com promessas de revolução energética até 2050.

O mundo testemunha uma intensa disputa tecnológica pela liderança na fusão nuclear, vista por muitos como a chave para uma fonte de energia abundante e isenta de gases de efeito estufa. Apesar da incerteza sobre a viabilidade econômica de usinas futuras, bilhões de dólares são canalizados por governos, empresas e investidores privados para o setor. No segundo semestre de 2025, o financiamento privado cresceu exponencialmente, com China e Estados Unidos concentrando 85% dos aportes.
Um relatório da Fusion for Energy (F4E), braço da União Europeia, aponta um aumento global de 30% nos investimentos, totalizando US$ 13 bilhões (aproximadamente R$ 67 bilhões). A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que o setor de fusão nuclear possa movimentar mais de US$ 350 bilhões até 2050, impulsionado pela crescente demanda energética, acentuada pela eletrificação da economia e pela necessidade de centros de dados para inteligência artificial.
A fusão nuclear opera pela união de núcleos atômicos leves, formando novos elementos e liberando calor. Essa energia térmica pode ser convertida em eletricidade, oferecendo um fornecimento estável, independente das condições climáticas, sem depender de combustíveis fósseis e sem emitir gases poluentes. Comparada à fissão nuclear convencional, a fusão apresenta riscos de acidentes menores e gera resíduos radioativos com menor impacto ambiental e à saúde humana.
## Startups Desafiam Projetos Estatais
Tradicionalmente, a pesquisa em fusão nuclear era dominada por grandes projetos estatais, como o ITER (International Thermonuclear Experimental Reactor), que envolve 35 países na construção de um reator experimental na França. No entanto, o cenário tem mudado. Atualmente, 77 startups em todo o mundo buscam acelerar a maturidade comercial da fusão nuclear. Os Estados Unidos lideram esse movimento com 42 empresas, seguidos pela China (8) e pelo Reino Unido (6), com a Alemanha também apresentando quatro startups promissoras.
Os investimentos privados no setor, excluindo fundos públicos, superaram € 13 bilhões até o final de 2025. Cerca de 53% desses recursos foram direcionados a empresas americanas, e um terço a companhias chinesas. O mercado já conta com "unicórnios" avaliados em mais de um bilhão de dólares, segundo a F4E.
## Gigantes da Tecnologia Apostam no Futuro
Grandes nomes da tecnologia estão investindo ativamente. O Google, por exemplo, apoia a TAE Technologies há mais de uma década, com aportes financeiros e equipes de engenharia dedicadas ao desenvolvimento da tecnologia. A empresa também investiu na Commonwealth Fusion Systems (CFS) e firmou um contrato de compra de eletricidade.
A Microsoft, por sua vez, assinou um acordo de fornecimento de energia com a Helion Energy, que conta com o apoio de Sam Altman, CEO da OpenAI. Essa participação de empresas privadas demonstra a confiança no potencial da fusão nuclear como a próxima fronteira energética global.
## Alemanha Investe em Ecossistema de Inovação
Na Alemanha, a professora Markus Roth, da TU Darmstadt, fundou a startup Focused Energy em 2021. Ela destaca o ecossistema competitivo do país, com forte presença de instituições de pesquisa, startups e indústrias. A Focused Energy aposta em uma abordagem com tecnologia a laser, cuja viabilidade foi comprovada em 2022 por pesquisadores americanos, que conseguiram, pela primeira vez, gerar mais energia em uma reação de fusão em laboratório do que a utilizada para iniciá-la. Contudo, o rápido avanço tecnológico e a escalabilidade para reatores comerciais ainda representam desafios significativos.