Conectividade é Nova Infraestrutura Estratégica para Setores Produtivos
A automação no Brasil enfrenta o desafio da falta de conectividade contínua em áreas produtivas. Apesar do avanço, grande parte do país ainda carece de sinal, limitando o potencial de máquinas e dados. Soluções híbridas e integradas buscam suprir essa lacuna.

A automação decolou nos setores produtivos brasileiros, com tratores autônomos, caminhões rastreados e equipamentos de mineração monitorados remotamente se tornando cada vez mais comuns. No entanto, essa revolução tecnológica esbarra em um gargalo crítico: a falta de conectividade confiável em muitas das regiões onde essas operações ocorrem. Um diagnóstico recente aponta que, apesar de um aumento significativo na cobertura 4G/5G em áreas agrícolas – saltando de 18,7% para 33,9% entre 2024 e 2025 –, dois terços das zonas produtivas do país ainda sofrem com a ausência de rede móvel adequada.
## O Impacto da Falta de Sinal
Para produtores rurais no Mato Grosso, operadores de logística no Pará ou gestores de minas isoladas, a conectividade contínua não é um luxo, mas uma necessidade operacional. A transmissão ininterrupta de dados é fundamental para otimizar o desempenho de máquinas, monitorar o consumo de combustível, realizar manutenções preditivas e garantir a localização em tempo real. Sem essa conexão, informações cruciais simplesmente não chegam a quem precisa delas, limitando o potencial da transformação digital no campo, nas estradas e nas minas.
Carlos Agusti, diretor de vendas da Nordian para a América Latina, destaca a mudança de foco no mercado. "Hoje, a questão passa a ser como garantir que essas máquinas permaneçam conectadas durante toda a operação. Sem conectividade, grande parte do valor gerado pela transformação digital simplesmente não chega ao campo, às estradas ou às minas", afirma.
## Mercado em Expansão e Novos Desafios
A demanda por conectividade é impulsionada pelo crescimento exponencial do mercado de Internet das Coisas (IoT). O mercado brasileiro de dispositivos IoT movimentou US$ 1,6 bilhão em 2024 e projeta-se que ultrapasse US$ 4,1 bilhões até 2030. No agronegócio, especificamente, o mercado de agricultura conectada deve crescer de US$ 2,9 bilhões em 2025 para US$ 9,87 bilhões até 2031, com uma taxa de crescimento anual de 22,8%.
O desafio agora transcende o simples acesso à internet. A discussão evoluiu para a resiliência da conexão: garantir que o sinal não falhe durante operações críticas, independentemente da localização. Para isso, empresas estão adotando arquiteturas híbridas, combinando redes móveis terrestres com soluções não-terrestres, como a conectividade via satélite de baixa órbita, para eliminar pontos cegos e assegurar a continuidade operacional em regiões remotas.
## Conectividade como Infraestrutura Essencial
Agusti ressalta que o futuro da automação depende da capacidade de conectar equipamentos, pessoas e dados de forma contínua. "A conectividade passa a funcionar como uma infraestrutura tão essencial quanto energia, estradas ou logística", compara. Além da conexão, a integração de diferentes camadas tecnológicas – como conectividade, posicionamento de alta precisão e inteligência de frota – em plataformas unificadas torna-se crucial para a escalabilidade e eficiência das operações.
A complexidade de integrar sistemas separados está sendo superada por soluções que unem conectividade, posicionamento e gestão de frotas em uma única arquitetura. Essa abordagem integrada, diretamente aplicada às linhas de produção, acelera a implementação, aumenta a resiliência das operações e permite que a tecnologia escale de forma mais eficiente, mudando o patamar do debate para além do acesso à internet, focando na integração de sistemas em ambientes operacionais críticos.