China proíbe "namorados virtuais" de IA; EUA e OMS alertam para solidão

China bane "namorados virtuais" de IA para combater vício, enquanto EUA e OMS alertam sobre aumento da solidão global e relacionamentos com inteligência artificial.

China proíbe "namorados virtuais" de IA; EUA e OMS alertam para solidão

A China implementou recentemente uma regulamentação rigorosa que proíbe os "namorados virtuais" de inteligência artificial, com o objetivo declarado de combater a dependência emocional e o vício gerados por essas tecnologias. Gigantes da tecnologia como ByteDance e Alibaba foram forçados a suspender as funcionalidades associadas a esses companheiros digitais, gerando reações de lamento nas redes sociais chinesas. Usuários expressaram a perda de seus "pilares espirituais" e parceiros digitais, que já consideravam parte de suas famílias.

A indústria de companhias virtuais na China tem apresentado um crescimento notável, expandindo-se em mais de 80% anualmente e movimentando mais de R$ 3 bilhões em 2024. Contudo, o fenômeno não se restringe ao país asiático. Um estudo da Common Sense Media revelou que aproximadamente três em cada quatro adolescentes americanos já utilizaram companheiros criados por IA para relacionamentos pessoais. Paralelamente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que uma em cada seis pessoas no mundo sofre de solidão, declarando o problema como uma ameaça global à saúde pública.

## O Fenômeno da Tecnoafetividade

Neste contexto, o podcast "O Assunto" aborda a relação íntima entre humanos e inteligência artificial em seu episódio #1764. A entrevista com Laura Hauser, doutoranda na área, explora o paradoxo da "tecnoafetividade". Hauser discute o que ela denomina "quarta ferida narcísica" e alerta para a "economia da intimidade". Este modelo de negócio lucrativo das grandes empresas de tecnologia capitaliza o vínculo emocional estabelecido com robôs para manter os usuários engajados por períodos prolongados.

Na abertura do episódio, a psicanalista Carol Tilkian, pesquisadora de relações humanas, também oferece comentários sobre o crescente fenômeno. Laura Hauser, que também é autora do livro "Saber conversar na era da IA: sobreviver na tecnoafetividade", traz sua perspectiva como historiadora, socióloga e consultora em inovação para analisar as implicações sociais e psicológicas desses novos tipos de relacionamento.

## Implicações e Negócios

A regulamentação chinesa, embora focada em combater a dependência, levanta questões sobre o futuro dos relacionamentos humanos em um mundo cada vez mais digitalizado. A "economia da intimidade" descrita por Hauser sugere que o valor de mercado dessas interações pode superar a preocupação com o bem-estar emocional dos usuários, focando na retenção e no engajamento. A OMS, ao classificar a solidão como uma ameaça à saúde pública, reforça a urgência em compreender e mitigar os impactos sociais da tecnologia sobre as conexões humanas.