Chatbots de IA: Personalidades Distintas na Interação Humana

Chatbots de IA como ChatGPT, Gemini e Claude desenvolvem personalidades distintas através de treinamento e feedback. Especialistas alertam contra o uso como substitutos de terapia.

Chatbots de IA: Personalidades Distintas na Interação Humana

A forma como os chatbots de inteligência artificial interagem com os usuários tem se tornado cada vez mais personalizada, com cada ferramenta desenvolvendo uma 'personalidade' distinta. Ao serem questionados sobre ansiedade e falta de energia, o ChatGPT (OpenAI) e o Gemini (Google) demonstraram uma abordagem mais empática e acolhedora, iniciando suas respostas com expressões como "Sinto muito que você esteja passando por isso". Em contraste, o Claude (Anthropic) adotou um tom mais direto, reconhecendo o peso da situação: "Isso tudo, junto, tem peso real, e faz sentido que esteja te desgastando".

Essa variação no tom não é mera coincidência, mas sim o resultado de processos técnicos de treinamento e alinhamento específicos de cada empresa. Segundo Diogo Cortiz, professor de inteligência artificial na PUC-SP, os chatbots passam por um pré-treinamento com vastos volumes de texto, seguido por ajustes finos com feedback humano e, posteriormente, por orientações que definem a maneira como devem responder – seja de forma mais direta, cordial, crítica ou até sarcástica. Essa customização molda o 'jeito de falar' de cada sistema, levando os usuários a interpretá-los como se tivessem personalidades próprias.

Alguns usuários relatam que o ChatGPT e o Gemini tendem a ser mais "bajuladores", enquanto o Claude é percebido como mais crítico e questionador. Essa percepção pode ser influenciada tanto pelo design das IAs quanto pelo próprio usuário, que pode ajustar o tom das respostas através de feedbacks ou configurações específicas da ferramenta.

Apesar de muitas pessoas utilizarem essas IAs como um substituto para terapia, especialistas alertam para os riscos. Todos os três chatbots consultados para esta reportagem deixaram claro que não são psicólogos e não podem oferecer diagnósticos ou substituir a ajuda profissional. Marcio Berber Diz Amadeu, psicólogo e mestre em tecnologias da inteligência digital pela PUC-SP, ressalta que a IA, por não ter experiências de vida ou sentimentos, "sabe fingir que sabe o que é sofrimento". A validação excessiva por parte da IA pode reforçar crenças, mascarar sinais de alerta e criar uma "falsa sensação de acolhimento", diferentemente da interação humana, que se baseia em experiências compartilhadas.

Além disso, a IA, ao ser treinada por humanos, pode inadvertidamente reproduzir preconceitos e vieses sociais. Mesmo quando um chatbot parece crítico, sua programação tende a buscar agradar o usuário para mantê-lo engajado na plataforma. Uma pesquisa de Stanford, publicada na revista Science, corrobora essa observação, indicando que os principais chatbots concordam com os usuários em 49% mais situações do que os humanos, sugerindo uma tendência à validação excessiva.