CEO de startup aposta em games para treinar Inteligência Artificial

Startup General Intuition levanta US$ 320 milhões para usar dados de videogames no treino de IA, acreditando que jogos oferecem melhor compreensão do mundo físico que a internet.

CEO de startup aposta em games para treinar Inteligência Artificial

Uma startup sediada em Nova York, a General Intuition, está apostando em uma abordagem inovadora para o desenvolvimento da Inteligência Artificial Geral (AGI): utilizar dados de videogames em vez da vasta quantidade de informações disponíveis na internet. A empresa, que já recebeu investimentos de figuras como Eric Schmidt e pesquisadores do MIT e Google DeepMind, levantou US$ 320 milhões em uma nova rodada de financiamento, elevando sua avaliação para US$ 2,3 bilhões.

O CEO da General Intuition, Pim de Witte, defende que modelos de linguagem atuais, como ChatGPT e Claude, embora proficientes em texto, falham em capturar a compreensão de como objetos e entidades se movem no espaço e no tempo. Essa habilidade é considerada crucial para criar uma inteligência artificial verdadeiramente generalizada e capaz de interagir com o mundo físico de forma mais intuitiva.

## A lacuna do mundo real

De Witte argumenta que a internet, apesar de sua amplitude, apresenta um 'mundo plano' com dados textuais que não refletem a complexidade tridimensional e dinâmica do mundo real. Jogos, por outro lado, são ambientes simulados que exigem dos jogadores e dos sistemas que os processam uma profunda compreensão das leis físicas, da causalidade e da interação espacial. Esses ambientes, portanto, oferecem um 'terreno de treinamento' mais rico e preciso para o desenvolvimento de 'world models' – modelos que representam e compreendem o mundo.

A General Intuition surgiu a partir da plataforma de jogos Medal TV, o que permitiu à empresa acumular um vasto repositório de dados de gameplay. Essa origem confere à startup uma vantagem competitiva na coleta e processamento de informações relevantes para seu objetivo de aprimorar a IA.

## Implicações e desafios éticos

A aposta da General Intuition em dados de jogos para treinar IA levanta discussões sobre o futuro da inteligência artificial e suas aplicações. A capacidade de criar IAs mais 'intuitivas' fisicamente pode acelerar o desenvolvimento de robótica avançada, veículos autônomos e outras tecnologias que interagem diretamente com o ambiente físico.

No entanto, a utilização de dados de jogos também levanta questões éticas importantes, especialmente quando os modelos desenvolvidos podem ser aplicados em áreas como defesa. A empresa reconhece a necessidade de estabelecer 'red lines' éticas claras para garantir que a tecnologia seja utilizada de forma responsável e segura, evitando potenciais usos indevidos.