Brasileiro cria app de IA para músicos com 75 milhões de usuários

O Moises AI, aplicativo brasileiro criado por Geraldo Ramos, democratiza ferramentas de produção musical com IA e já soma mais de 75 milhões de usuários no mundo.

Brasileiro cria app de IA para músicos com 75 milhões de usuários

Geraldo Ramos, programador autodidata e baterista amador, fundou o Moises AI, uma plataforma de inteligência artificial que já conquistou mais de 75 milhões de usuários globalmente. A iniciativa nasceu da necessidade pessoal de Ramos em isolar instrumentos em faixas musicais para praticar bateria.

## Democratizando a Produção Musical

Em 2019, Ramos encontrou inspiração em um modelo francês de código aberto, dando o primeiro passo para criar o Moises AI. O grande diferencial da plataforma é a disponibilização de ferramentas de estúdio, antes restritas a profissionais, para um público amplo. A solução atende desde músicos amadores em seus quartos até instrumentistas e cantores profissionais, oferecendo recursos como separação de faixas, acesso a modelos de vozes e ferramentas de produção musical diretamente no celular.

Ramos, um recifense de 40 anos que reside nos Estados Unidos desde 2012, descreve a criação do app como a montagem de um laboratório de pesquisa. O nome "Moises" é uma alusão ao personagem bíblico que dividiu o Mar Vermelho, simbolizando a capacidade do sistema em separar as camadas de som. "Enxerguei logo que o potencial ia muito além de isolar instrumentos", afirma Ramos, CEO da Moises AI. "Era usar essa tecnologia emergente para derrubar as barreiras técnicas que sempre separaram o músico da sua arte, e abrir esse acesso para todo mundo, do iniciante ao profissional."

## Reconhecimento e Expansão

O Moises AI já foi reconhecido pela Apple como o melhor app do ano para iPad, além de receber prêmios da Microsoft e do Google Play. Atualmente, a empresa conta com mais de 120 colaboradores distribuídos entre Estados Unidos, Europa e Brasil, com escritórios em Salt Lake City, João Pessoa e São Paulo. A função de separação de faixas continua sendo a mais utilizada, permitindo que usuários isolarem vocais ou criem versões instrumentais de músicas. "É a funcionalidade que traduz, na prática, a nossa meta, que é encurtar a distância entre a pessoa e a música que ela quer tocar", explica Ramos.

Nos últimos anos, o Moises expandiu suas funcionalidades, tornando-se uma "suíte de tecnologias" que inclui masterização, colaborações remotas, simulação de amplificação, geração de instrumentais e organização de setlists. Ramos enfatiza o papel da inteligência artificial como ferramenta de apoio à criação humana, destacando a importância da conexão com o artista real em um cenário de crescente produção musical automatizada. "O nosso foco é colocar a tecnologia a serviço dos humanos, para que criem cada vez mais e sigam sendo o motor da música na era da IA."