Voepass defende segurança e tripulação após acidente fatal em Vinhedo

Voepass responde a relatório sobre acidente fatal em Vinhedo, SP, defendendo padrões de segurança e tripulação experiente após investigação apontar falhas no sistema de degelo e comunicação.

Voepass defende segurança e tripulação após acidente fatal em Vinhedo

A Voepass defendeu sua atuação em segurança e a experiência de sua tripulação em resposta ao relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre o acidente que vitimou 62 pessoas em Vinhedo, São Paulo, em agosto de 2024. Em nota, a companhia aérea declarou que sua operação "sempre esteve pautada em padrões internacionais de segurança", citando a certificação IOSA obtida em 2012. A empresa também ressaltou que a tripulação era composta por profissionais "experientes, capacitados e devidamente certificados", com mais de 5 mil horas de voo e treinamentos rigorosamente atualizados.

## Relatório Aponta Cadeia de Falhas

O relatório do Cenipa, vinculado à Força Aérea Brasileira (FAB), apontou o acúmulo severo de gelo nas asas, em meio a condições meteorológicas extremas, como a causa direta da queda. Contudo, a investigação detalhou uma "cadeia de falhas" que culminou no desastre. Entre os pontos levantados, estão problemas recorrentes no sistema de degelo da aeronave, falhas não registradas pela companhia e alertas ignorados pela tripulação. O documento também indicou deficiências na fiscalização da empresa.

## Problemas Recorrentes e Falta de Comunicação

De acordo com o Cenipa, o sistema de degelo da aeronave já havia apresentado falhas em voos anteriores, mas os problemas não eram comunicados nos documentos de manutenção. Essa prática, segundo a investigação, era recorrente na Voepass, com pilotos e mecânicos omitindo panes para manter as aeronaves autorizadas a operar. A aeronave que caiu em Vinhedo, por exemplo, apresentou a mesma falha no sistema de degelo em três voos consecutivos antes do acidente. Investigadores apontaram que, embora a aeronave pudesse continuar operando sob restrições específicas, o voo do acidente enfrentou condições severas de gelo, e o comandante tinha conhecimento das condições e de falhas anteriores.

## Desatenção e Falhas na Gestão

Durante o voo, a aeronave emitiu oito alertas sobre o acúmulo de gelo nas asas. A análise das caixas-pretas revelou que, enquanto os alertas soavam, os pilotos conversavam sobre assuntos pessoais. Em um momento, o comandante mencionou ter esquecido de acionar o sistema de degelo, que, segundo o Cenipa, permaneceu desligado. Os investigadores definiram o fenômeno como "surdez e cegueira por desatenção", pois a tripulação não declarou emergência mesmo diante de avisos graves. O relatório também sugeriu que problemas pessoais do comandante afetaram seu desempenho e destacou outras falhas, como um problema no limpador de para-brisa, que impedia o voo em caso de previsão de chuva.

A Voepass reiterou seu compromisso com a transparência junto aos órgãos de investigação e autoridades, afirmando que permanece à disposição para colaborar com o que for necessário. A companhia classificou o ocorrido como "o episódio mais difícil da história da Voepass", mas também como o primeiro acidente em mais de 30 anos de operação.