Voepass defende segurança após relatório sobre queda que matou 62
Voepass se defende após relatório do Cenipa apontar falhas na tripulação e em sistemas da aeronave que levaram à queda em Vinhedo (SP).

A Voepass emitiu um comunicado nesta quinta-feira (23) defendendo seus padrões de segurança após a divulgação do relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre o acidente que resultou na morte de 62 pessoas em Vinhedo, São Paulo, em agosto de 2024. A empresa reconheceu o episódio como o mais difícil de sua história, mas ressaltou que a tripulação do voo era experiente, capacitada e possuía certificações em dia.
## Padrões Internacionais e Tripulação Qualificada
Em sua nota, a Voepass enfatizou que a tripulação acumulava mais de 5.000 horas de voo, com treinamentos técnicos e acompanhamentos de saúde rigorosamente atualizados. A companhia aérea, que opera há mais de 30 anos na aviação brasileira, destacou possuir a certificação IOSA desde 2012. Este selo, emitido pela Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata), atesta a excelência operacional e avalia os sistemas de gestão e controle de companhias aéreas.
A empresa declarou que sempre atuou de forma transparente junto ao Cenipa e às autoridades públicas, colocando-se à disposição para colaborar nas investigações. A nota da Voepass busca contrapor os achados do relatório do Cenipa, que apontou para múltiplos avisos à tripulação sobre acúmulo de gelo nas asas, fator determinante para a queda da aeronave.
## Falhas Apontadas no Relatório do Cenipa
O relatório final do Cenipa detalhou que, em uma das ocorrências registradas, o piloto esqueceu de ativar o sistema de degelo, apesar de ter informado ao copiloto que o faria. O sistema permaneceu desligado durante o voo. As caixas-pretas da aeronave registraram, ainda, que durante os alertas de gelo, o piloto e o copiloto conversavam sobre assuntos pessoais. Investigadores concluíram que problemas pessoais enfrentados pelo piloto afetaram seu desempenho, levando a tripulação a um estado de "surdez e cegueira por desatenção", o que comprometeu a capacidade de reagir adequadamente à situação de risco.
Adicionalmente, a aeronave partiu de Cascavel com dez itens registrados como pane na Lista Mínima de Equipamentos (MEL), que autoriza operações temporárias com equipamentos inoperantes sob certas restrições. Um desses itens era o limpador do para-brisa, cujo funcionamento era proibido pela MEL em caso de previsão de chuva no período de embarque e voo. A documentação meteorológica entregue aos pilotos antes da decolagem indicava possibilidade de formação de gelo severo, para a qual a aeronave não estava autorizada a permanecer com os sistemas de proteção ativos. O relatório do Cenipa encerra a investigação técnica sobre o acidente, que se configura como um dos maiores desastres aéreos do Brasil desde 2007.