Violência Policial: 282 Mortes na Baixada Fluminense em 5 Anos
Relatório da IDMJRacial revela 282 mortes em ações policiais na Baixada Fluminense entre 2020 e 2025, com aumento da letalidade, especialmente pela Polícia Civil.

Um levantamento divulgado pela Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJRacial) revela um cenário alarmante de violência em ações policiais na Baixada Fluminense, região metropolitana do Rio de Janeiro. Entre os anos de 2020 e 2025, as operações resultaram em 282 mortes, além de 5.783 pessoas presas, 652 feridos e 41 adolescentes apreendidos. A pesquisa, que utilizou dados de redes sociais da Polícia Civil e Militar, contabilizou um total de 5.298 operações no período.
## Operações e Letalidade
A maior parte das ações, cerca de 86%, foi conduzida pela Polícia Militar. O 15º Batalhão de Duque de Caxias liderou o número de operações, com 1.289 ações que causaram 71 mortes e 142 feridos. Em seguida, o 20º Batalhão (Mesquita, Nova Iguaçu e Nilópolis) realizou 1.034 operações, resultando em 51 mortes e 156 feridos. O 39º Batalhão de Belford Roxo registrou 569 operações, com 45 mortes e 120 feridos. A IDMJRacial, organização com sete anos de atuação focada no combate à violência do Estado, policial e ao racismo estrutural, destaca que esses números evidenciam o modo de atuação estatal em territórios periféricos e favelados.
## Aumento da Letalidade na Polícia Civil
O relatório também aponta um crescimento significativo nas operações da Polícia Civil na Baixada Fluminense e um aumento correspondente na letalidade policial. Em 2020, foram registradas 47 ações da Civil, número que saltou para 336 em 2024, um aumento de 614%. Embora o número de operações tenha diminuído em 2025 para 66, a letalidade dessas ações aumentou drasticamente, chegando a 18%, indicando que cada intervenção da Polícia Civil foi proporcionalmente mais letal que as da Polícia Militar. A corporação justificou o aumento das ações à retomada das atividades pós-pandemia e à criação de delegacias especializadas, com o objetivo de cumprir mandados e prender criminosos.
A Secretaria de Estado de Polícia Militar declarou que não comenta levantamentos de instituições externas que não utilizam bases oficiais. Contudo, afirmou que as operações são baseadas em critérios técnicos e que as áreas com maior incidência de ações são aquelas com altos índices de violência e atuação do crime organizado. A secretaria ressalta que todas as intervenções seguem protocolos e legislações, com apuração rigorosa em casos de morte.