TJ-SP concede liberdade a vereador preso por suspeita de elo com PCC
Vereador Senival Moura, investigado por elo com PCC em esquema de lavagem de dinheiro no transporte público de SP, é solto por decisão do TJ-SP. Operação "Última Parada" investiga o caso.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou a soltura do vereador Senival Moura, que estava preso preventivamente sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista. A decisão foi tomada pela desembargadora Carla Rahal Benedetti, da 11.ª Câmara Criminal do TJ-SP, que considerou que o prazo da prisão temporária não deveria exceder cinco dias.
## Decisão Judicial e Argumentos da Defesa
A defesa de Senival Moura argumentou que o inquérito policial, que tramita desde 2022, não apresentava fundamentos concretos e individualizados para manter a prisão cautelar. Segundo a defesa, o vereador sempre esteve à disposição das autoridades, manteve residência e endereço funcional conhecidos, exerceu publicamente seu mandato e não há registros de fuga, descumprimento de ordens judiciais, ameaças a testemunhas, destruição de provas ou interferência nas investigações. A defesa expressou serenidade e confiança na justiça e nas garantias constitucionais.
## Contexto da Investigação e Operação
Senival Moura foi preso em 26 de junho, como alvo da "Operação Última Parada", deflagrada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A operação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro no transporte público de São Paulo, com suspeitas de ligação com o PCC. Além de Senival, outras pessoas tiveram a prisão temporária prorrogada, incluindo Jair Ramos de Freitas e Devanil de Souza Nascimento. Lourival de França Monário e Leonel Moreira Martins permanecem foragidos.
## Investigação e Valor dos Recursos
As investigações tiveram início após o assassinato do então presidente da empresa de transporte coletivo Transunião, Adauto Soares Jorge, em 2020. Segundo o Ministério Público, há indícios de que a concessionária teria sido utilizada pela facção criminosa para lavar dinheiro, tendo recebido mais de R$ 300 milhões do sistema de transporte paulistano em 2025. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 194 milhões em contas ligadas aos investigados e à empresa, além da apreensão de veículos, imóveis e embarcações.
## Histórico e Núcleo Paralelo
A investigação aponta a existência de um núcleo paralelo responsável por decisões na Transunião, incluindo transferências de recursos para integrantes do PCC. O capital social da companhia teria saltado de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões sem origem esclarecida. Conexões com outras operações, como Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi, também foram identificadas. Em 2024, a "Operação Fim da Linha" já havia desarticulado esquemas de lavagem de dinheiro do PCC em outras empresas de ônibus da capital paulista.