Stealthing: A Retirada de Camisinha Sem Consentimento e Seus Impactos

Stealthing, a prática de retirar a camisinha sem consentimento, causa graves danos físicos e psicológicos. Vítimas enfrentam desafios para provar a violência e buscar ajuda.

Stealthing: A Retirada de Camisinha Sem Consentimento e Seus Impactos

A prática de retirar o preservativo durante uma relação sexual sem o conhecimento ou consentimento da parceira, conhecida internacionalmente como stealthing, tem emergido como uma preocupante forma de violência sexual. Embora não possua uma tradução direta para o português, o termo descreve uma violação da autonomia e do consentimento, com consequências que vão além do risco de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e gravidez indesejada.

## Consequências Físicas e Psicológicas

As vítimas de stealthing frequentemente relatam uma série de impactos negativos. Além do medo e da possibilidade de gravidez, há o risco real de contrair ISTs como sífilis e HPV. As consequências psicológicas, contudo, podem ser ainda mais devastadoras e duradouras. Estudos apontam para o desenvolvimento de ansiedade, perda de autoestima, dificuldade em confiar em futuros parceiros e a necessidade de acompanhamento psicológico e psiquiátrico, muitas vezes com o uso de antidepressivos e ansiolíticos. A sensação de perda da autonomia corporal, violação da confiança e humilhação são sentimentos comuns relatados por quem vivencia essa prática.

## Um Ato de Violência Subtil

O stealthing se diferencia de outras formas de violência sexual por sua sutileza. Em muitos casos, o agressor é um parceiro, namorado ou marido, alguém em quem a vítima confiava. A ausência de coerção física explícita ou ameaças diretas leva a uma minimização do ato, sendo muitas vezes interpretado como um "mal-entendido" ou "irresponsabilidade". No entanto, o consentimento para uma relação sexual com preservativo não se estende à relação sem ele, configurando uma quebra clara de acordo e um ato de violência.

## Desafios e Proteção para as Vítimas

Pesquisas recentes, como um estudo nacional com mais de 2.200 mulheres adultas, revelam que uma parcela significativa das vítimas (51,5%) nunca havia ouvido falar do termo stealthing, dificultando a identificação e a busca por ajuda. A maioria percebe a retirada do preservativo durante o ato, mas muitos parceiros demonstram descaso. A subnotificação é alta, com 41% das vítimas nunca tendo compartilhado a experiência com ninguém. Provar a violência e a baixa procura por atendimento imediato, como a profilaxia pós-exposição (PEP) para HIV, são obstáculos significativos. Para se proteger, as vítimas são orientadas a tentar preservar evidências, buscar apoio psicológico e jurídico, e denunciar o ocorrido às autoridades competentes, apesar das dificuldades inerentes à natureza do crime.