Stalking: Mulheres também são perseguidoras, alerta especialista

Stalking, crime de perseguição, é cada vez mais praticado por mulheres. Especialistas alertam para identificação de sinais e riscos, inclusive em casos de violência doméstica.

Stalking: Mulheres também são perseguidoras, alerta especialista

O stalking, crime de perseguição reiterada que invadiu a privacidade e ameaçou a integridade de vítimas, tem se mostrado uma face preocupante em relações interpessoais, indo além do estereótipo masculino. Embora historicamente associado a homens, o comportamento obsessivo de perseguir e importunar alguém está cada vez mais presente entre mulheres, conforme apontam especialistas e retratado em produções culturais.

Um exemplo concreto dessa realidade é a experiência de um profissional de segurança pública do Rio de Janeiro. Ele relata conviver há oito anos com uma cyberstalker que conheceu em um aplicativo de relacionamentos. Após um único encontro, ele decidiu não prosseguir com a relação, o que desencadeou uma perseguição implacável. A mulher não aceitou a rejeição e iniciou uma série de ações, incluindo dezenas de ligações diárias, uso de quase cem números telefônicos diferentes, tentativas de invasão de suas redes sociais e mensagens para ex-namoradas. Em um episódio, ela chegou a se passar por ele, importunando uma ex-companheira a ponto de levá-la a solicitar uma medida protetiva contra o homem.

## Evolução da Legislação e Manifestações do Crime

Desde 2021, o stalking é crime no Brasil, tipificado pela Lei nº 14.132. A legislação prevê pena de reclusão de seis meses a dois anos, além de multa, com agravantes quando o crime é cometido contra mulher por razão de gênero. O crime se configura pela perseguição reiterada, seja presencial ou digital, que resulte em ameaça à integridade física ou psicológica da vítima ou invasão de sua privacidade. A insistência e a dificuldade em aceitar limites impostos pela vítima são as marcas registradas do stalker.

Formas de perseguição incluem "esperas de surpresa" na porta de casa, do trabalho ou da faculdade, além de aparições "por coincidência" em locais frequentados pela vítima. Com o avanço das redes sociais, o cyberstalking tornou-se uma modalidade mais difícil de identificar. Advogados especialistas em direito digital explicam que, muitas vezes, a relação começa com admiração e evolui para um comportamento tóxico, marcado pela interação excessiva e pela soma de atitudes que envolvem perseguir, constranger, intimidar e ameaçar.

## Perfil do Stalker e Implicações Sociais

Ana Lara Castro, procuradora de Justiça e autora de estudos sobre o tema, aponta que a prevalência de stalkers homens ainda é maior, o que pode ser reflexo da desigualdade de gênero que ensina homens a não aceitar o "não". O perfil do "rejeitado" é o mais comum e perigoso, pois o stalker conhece detalhes íntimos da vítima. Existe também o perfil do "carente", que acredita ter um vínculo real com quem persegue, um quadro que pode indicar transtorno psicótico, segundo o psiquiatra Daniel Barros.

A relação entre stalking e violência doméstica é frequentemente observada, pois o crime está intimamente ligado àqueles que não aceitam o fim de um relacionamento. Em São Paulo, por exemplo, homens têm utilizado a tecnologia, como tags escondidas em carros e objetos pessoais, para monitorar ex-mulheres, evidenciando a persistência e as novas formas de manifestação desse comportamento criminoso. A identificação precoce desses sinais é crucial para a proteção das vítimas.