Silêncio impede elucidação de mortes de botos no Rio Matapi
Investigação sobre mortes de botos no Rio Matapi (AP) enfrenta dificuldades pela falta de denúncias. MP e forças de segurança buscam apoio popular para identificar responsáveis por crimes ambientais.

A região do distrito do Ariri, na zona rural de Macapá (AP), segue como foco das investigações sobre crimes contra a fauna amazônica, especificamente a morte de botos-cor-de-rosa no Rio Matapi. Em resposta à repercussão do caso, o Ministério Público do Amapá (MP-AP) intensificou a colaboração com órgãos estaduais de segurança pública. Uma reunião estratégica foi realizada na Promotoria, reunindo representantes da Delegacia Especializada em Meio Ambiente (Dema), do Batalhão Ambiental da Polícia Militar e da Polícia Científica do Estado do Amapá (PCA). O objetivo principal do encontro foi definir ações conjuntas para acelerar o inquérito policial, fortalecer as investigações e aumentar as chances de identificar os autores dos crimes ambientais.
## Obstáculos na Investigação
O caso ganhou notoriedade em agosto de 2025, quando quatro botos, incluindo um filhote, foram encontrados mortos em um período de apenas 20 dias no Rio Matapi. As análises preliminares dos animais indicaram perfurações e cortes que sugeriam o uso de redes de pesca, possivelmente na captura predatória de pirarucu. A principal hipótese levantada é que os botos se prendem acidentalmente nessas redes e são mortos pelos próprios pescadores para que os equipamentos sejam liberados. Há suspeitas de que os ataques ocorram em comunidades próximas, como Flexal e Tessalônica, com os corpos sendo levados pela correnteza até a área do Ariri.
O principal entrave para o avanço das investigações é a notória falta de informações concretas e denúncias que permitam a identificação dos responsáveis. O promotor de Justiça do Meio Ambiente, Marcelo Moreira, destacou que a legislação prevê punições severas para crimes ambientais, como o previsto no artigo 29, que trata de matar, perseguir e apanhar animais. A pena é agravada em metade para espécies ameaçadas de extinção, como o boto-cor-de-rosa. Contudo, a ausência de testemunhas ou pistas concretas coloca o inquérito em risco de arquivamento por falta de materialidade e autoria.
## Medidas de Prevenção e Apelo à População
Diante desse cenário, o MP-AP também determinou a adoção de medidas preventivas. Foram expedidos ofícios para o Ministério da Pesca, a Colônia de Pescadores da região, a Associação de Moradores do Ariri e o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa). O objetivo é coletar informações detalhadas sobre a atividade pesqueira e o uso do habitat dos botos na região. Esses dados servirão de base para o desenvolvimento de uma campanha de educação ambiental direcionada aos moradores, pescadores e frequentadores da área, com foco na preservação da espécie e na prevenção de novos incidentes. O promotor enfatizou a importância da união de esforços para denunciar a pesca predatória e a violência contra os botos, ressaltando o papel vital desses animais no equilíbrio ambiental amazônico e o risco de extinção que enfrentam. As autoridades reforçam que a participação da população, por meio de denúncias anônimas, é crucial para que o inquérito avance e novas mortes sejam evitadas. Informações podem ser repassadas via WhatsApp do Batalhão Ambiental (96) 98417-3281 ou presencialmente na sede do órgão.