RJ muda de ideia e pede tropas federais para eleições após negar necessidade
Governo do RJ solicita tropas federais para eleições, mudando de posição após duas semanas. Medida visa reforçar segurança eleitoral diante de contexto de crime organizado na política.

O Governo do Estado do Rio de Janeiro solicitou o envio de tropas federais para reforçar a segurança das eleições municipais de outubro, revertendo uma decisão anterior. Há cerca de duas semanas, o estado havia informado à Justiça Eleitoral que as forças de segurança estaduais eram suficientes para garantir a realização do pleito.
O novo pedido foi encaminhado pelo governador em exercício, Ricardo Couto, ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) no final de junho. No documento, o governo argumenta que a atuação das forças federais, em cooperação com os órgãos estaduais, é de "extrema importância" para assegurar a segurança dos eleitores, dos locais de votação e das urnas eletrônicas, desde o transporte até a guarda.
## Mudança de Posicionamento
A manifestação representa uma guinada na posição do governo estadual. Inicialmente, após consultas à Secretaria de Polícia Militar e à Casa Civil, o Executivo havia declarado que as forças de segurança do estado possuíam capacidade operacional plena para atuar durante as eleições, dispensando a necessidade de reforço federal.
No documento mais recente, a justificativa para a revisão da decisão aponta para uma reunião com o próprio TRE-RJ. O governo reitera que, embora mantenha capacidade operacional, a atuação complementar das forças federais é vista como uma medida relevante para reforçar a segurança e contribuir para a integridade e tranquilidade do processo eleitoral.
## Contexto de Insegurança e Política
Entre a primeira manifestação e a atual solicitação, investigações do Ministério Público do Rio revelaram o avanço da infiltração do crime organizado na política fluminense. Em meados de junho, uma operação mirou o deputado estadual Val Ceasa, investigado por suspeita de interferir junto à Polícia Militar para impedir a demolição de um "resort" ligado ao traficante Álvaro Malaquias, conhecido como Peixão. O MP apontou que a facção Terceiro Comando Puro teria se infiltrado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Fontes do governo, no entanto, minimizam a ligação direta das investigações recentes com a mudança de posição, atribuindo-a a uma medida de precaução. Ao comunicar ao Tribunal Superior Eleitoral a necessidade de reforço, o estado assegura a possibilidade de mobilização de tropas federais caso surja necessidade durante o período eleitoral, algo que não seria possível se a negativa inicial fosse mantida.
## Histórico e Futuro Político
O emprego de tropas federais para garantir a segurança das eleições tem sido uma prática recorrente no Rio de Janeiro nas últimas décadas, dada a influência de facções criminosas e milícias em diversas regiões do estado. Além das eleições municipais, o Rio pode enfrentar um processo eleitoral para o cargo de governador, com o STF retomando em agosto o julgamento sobre a escolha de um governador-tampão. As opções em debate são uma eleição direta ou indireta.
Enquanto o futuro político do estado segue indefinido, a gestão interina tem implementado medidas administrativas, como a demissão de servidores apontados como "fantasmas" e auditorias em contratos públicos. Recentemente, o governo também prorrogou o emprego da Força Nacional de Segurança Pública até setembro, com atuação em rodovias, aeroporto e vias expressas.