Rio: 1 em cada 4 homicídios é 'elucidado' pela polícia

Rio de Janeiro registra a maior taxa de elucidação de homicídios desde 2018, mas especialistas questionam a metodologia que inclui casos arquivados.

Rio: 1 em cada 4 homicídios é 'elucidado' pela polícia

A taxa de elucidação de homicídios no Rio de Janeiro atingiu 24,8%, o equivalente a um caso solucionado para cada quatro registrados, representando o maior índice desde 2018, de acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). Essa métrica, no entanto, é baseada na definição da Polícia Civil, que considera um caso elucidado quando o inquérito é concluído e relatado, mesmo que o Ministério Público não ofereça denúncia e o caso seja arquivado. Um exemplo emblemático é o da menina Ester, de 9 anos, que morreu em abril de 2023 após ser baleada na cabeça durante um confronto entre facções em Madureira. Embora a investigação policial tenha sido concluída e apontado a autoria, o caso foi arquivado em janeiro de 2024 por falta de indícios mínimos para denúncia, mas é contabilizado como elucidado pela polícia.

## Metodologia em Debate

Especialistas criticam a metodologia atual, argumentando que o termo "elucidação" pode gerar confusão. Carolina Grillo, coordenadora do Geni-UFF, defende que o indicador deveria ser chamado de "taxa de conclusão", pois "elucidação" implicaria responsabilização efetiva. Ela ressalta que um relatório baseado em indiciamentos seria mais preciso para avaliar o sucesso das investigações em levar os culpados à justiça. Ricardo Balestreri, coordenador do Núcleo de Urbanismo Social e Segurança Pública do Insper, complementa que a metodologia do ISP foca no trabalho conclusivo da polícia, elevando artificialmente as taxas e não refletindo a realidade da responsabilização criminal.

## Desafios e Perspectivas

A Polícia Civil reconhece a complexidade das investigações, que frequentemente demandam perícias, cruzamento de dados e diligências prolongadas. A corporação afirma estar investindo em tecnologia e inteligência para aprimorar a capacidade investigativa. No entanto, a escassez de agentes e recursos, além de limitações legais que impedem o indiciamento em certos casos – como quando o autor faleceu ou é adolescente –, são desafios persistentes. O ISP, por sua vez, justifica a divulgação da taxa de elucidação como forma de qualificar o debate sobre a segurança pública e contribuir para o aprimoramento das ações policiais. Para mães como Thamires Assis, que perdeu a filha Ester, a esperança de justiça permanece, apesar do arquivamento do caso, com a possibilidade de reabertura caso surjam novas provas.