Procurador-geral de autarquia é preso em esquema de desvio de R$ 86 milhões no RJ
Procurador-geral do Instituto Rio Metrópole é preso em operação contra esquema de desvio de R$ 86 milhões. Investigação aponta cobertura jurídica para contratos fraudulentos.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou a Operação Ouroboros, que resultou na prisão de seis pessoas, incluindo Marcelo Lopes da Silva, atual procurador-geral do Instituto Rio Metrópole (IRM) e ex-procurador-geral do Estado. A operação investiga um esquema de desvio de recursos públicos que teria movimentado R$ 86,28 milhões.
Segundo as investigações, Marcelo Lopes da Silva emitia pareceres que conferiam "roupagem lícita" a contratos considerados fraudulentos. O MPRJ aponta que o IRM foi capturado por uma organização criminosa e transformado em um "instrumento de enriquecimento privado". Cargos estratégicos teriam sido ocupados por membros da organização para fraudar licitações, impedir fiscalizações e garantir o fluxo de dinheiro desviado.
Um fato que chamou a atenção da promotoria foi a descoberta de que, durante um período em que o procurador-geral estava de férias, uma servidora apontou irregularidades em contratos. Ao retornar, o parecer original foi ignorado e substituído por outro que validava as pretensões da autarquia. Essa situação, segundo o MPRJ, tornou o envolvimento do procurador no esquema "muito claro".
O esquema envolvia a celebração de contratos fraudulentos com o Instituto Rio Metrópole, tanto na licitação quanto na fiscalização. Empresas contratadas pelo IRM recebiam pagamentos que eram posteriormente transferidos para o Brazilian Institute of Organics (Instituto BIO), uma entidade sem estrutura operacional compatível. De lá, o dinheiro era sacado em espécie. A promotoria classificou o contrato com o Instituto BIO como "inteligível", pois não se compreendia o objeto do contrato, que envolvia consultoria para hidrovias de uma ONG em Teresópolis, cuja diretora-presidente recebia Bolsa Família e não possuía formação na área.
Marcelo Lopes da Silva possui um histórico no alto escalão do governo fluminense, tendo sido procurador-geral do Estado entre 2019 e 2020, e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico até junho de 2020. A investigação ainda apura outros contratos envolvendo a autarquia, firmados entre julho de 2022 e maio de 2026.