Postos de Combustíveis no RJ: 95% Irregulares e Ligados ao Crime

Investigações revelam que 95% dos postos de combustíveis no Rio de Janeiro operam irregularmente, sem o envio de dados fiscais, e muitos têm ligações com o crime organizado.

Postos de Combustíveis no RJ: 95% Irregulares e Ligados ao Crime

O setor de combustíveis no Rio de Janeiro está sob forte escrutínio, com investigações revelando uma alarmante taxa de irregularidade. Segundo a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-RJ), aproximadamente 95% dos postos fluminenses não cumprem com o envio de dados fiscais sobre a compra e venda de combustíveis. Em junho, dos 2.205 postos cadastrados, 2.100 foram notificados pela ausência ou incompletude dessas informações, o que, segundo a pasta, prejudica o controle fiscal e o combate a fraudes e ao crime organizado.

## Fraudes e Financiamento ao Crime

O Ministério da Justiça e Segurança Pública indica que quase metade dos postos de combustíveis do Rio pode ter alguma ligação com atividades criminosas. A falta de registros regulares dificulta a identificação de operações suspeitas e a apuração de desvios por auditores fiscais. As fraudes fiscais no setor são apontadas como uma das principais fontes de financiamento para organizações criminosas, com suspeitas de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas e outros crimes através do faturamento dos postos. A predominância de transações em dinheiro, cerca de 40%, contribui para a dificuldade de rastreamento financeiro. Adicionalmente, o esquema da "bomba baixa", onde o equipamento é adulterado para registrar um volume menor de combustível, tem gerado lucros expressivos para quadrilhas, com estimativas de R$ 1,6 milhão mensais para uma única organização.

## Combate e Consequências Legais

Em resposta a este cenário, o Ministério da Justiça formou uma força-tarefa para investigar mais de mil postos suspeitos de envolvimento com o crime organizado, contando com o apoio do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Polícia Federal. A fiscalização também se estendeu ao transporte de combustíveis. Após o reforço das barreiras fiscais, o número de autuações contra caminhões-tanque aumentou significativamente, registrando mais de R$ 1,7 milhão em multas em junho, um crescimento de 482% em relação ao mesmo período de 2025. A maioria dos caminhões fiscalizados transportava combustíveis sem nota fiscal ou com documentação irregular.

As investigações já alcançaram empresários e agentes públicos. A Polícia Federal desarticulou uma rede de postos suspeita de movimentar mais de R$ 7 bilhões em lavagem de dinheiro, com alvos incluindo o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, endereços ligados ao ex-secretário estadual de Polícia Civil, Marcos Amim, e o deputado estadual Thiago Rangel, proprietário de postos investigados.