PMs condenados por tortura e 'roleta-russa' com adolescentes em SP
Policiais militares de SP são condenados por tortura e roleta-russa contra adolescentes. Imagens de câmeras corporais revelam agressões, invasões e possível desvio de drogas.

Dois policiais militares foram condenados pela Justiça Militar de São Paulo por tortura e abuso de autoridade, após serem flagrados em imagens de câmeras corporais simulando uma 'roleta-russa' com adolescentes e realizando invasões de domicílios sem ordem judicial. O caso ocorreu em fevereiro do ano passado, durante uma operação na Favela da Caixa D'Água, na Zona Leste da capital paulista.
## Agressões e Tortura Psicológica
As gravações, feitas por câmeras corporais dos próprios policiais, mostram o cabo Sandro Nascimento e o soldado Eduardo Uchoa abordando dois adolescentes. Em um dos momentos, Nascimento segura um dos jovens pela camiseta e pescoço, enquanto Uchoa desfere um tapa em seu rosto. Logo em seguida, Nascimento aponta uma pistola para a cabeça de um dos adolescentes. Em outra cena, o sargento Amauri dos Santos, que chegou ao local posteriormente, utiliza uma vara para bater em um dos jovens. Santos também é visto realizando o que parece ser uma simulação de roleta-russa com um dos adolescentes, apontando um revólver com uma única munição para sua cabeça e puxando o gatilho, que não dispara. A promotora de Justiça Militar Giovana Ortolano Guerreiro explicou que a roleta-russa é uma forma de tortura psicológica, com o objetivo de infligir temor na vítima.
## Invasões e Desvio de Drogas
Além das agressões, as imagens revelam que os policiais invadiram casas sem mandado judicial. Em uma das residências, encontraram galões, eppendorfs e pacotes que pareciam conter drogas. Esse material foi recolhido e levado para a viatura do sargento Santos, mas, segundo a investigação, desapareceu posteriormente. A promotora considerou as entradas nas casas irregulares e apontou indícios de desvio do material apreendido.
## Condenação e Penas
As imagens foram descobertas durante uma auditoria de rotina das câmeras corporais. A Corregedoria da Polícia Militar investigou o caso e efetuou as prisões de Santos e Nascimento. Durante o processo, os policiais apresentaram versões que minimizavam os fatos, como desequilíbrio ao apontar a arma e alegação de que o revólver era de plástico e a munição era inofensiva. No entanto, o Tribunal de Justiça Militar condenou Amauri dos Santos a 12 anos e 5 meses de prisão por tortura, abuso de autoridade, fraude processual (por obstruir a câmera) e peculato (pelo desaparecimento das drogas). Sandro Nascimento foi sentenciado a 4 anos e 10 meses de prisão em regime semiaberto por tortura e abuso de autoridade. Eduardo Uchoa e outros seis policiais ainda serão julgados.
A Polícia Militar informou que ampliou o programa de câmeras corporais e acompanha o uso da tecnologia para aumentar a transparência e a segurança em suas intervenções.