PM simula execução com roleta-russa em jovens rendidos em SP

Vídeos de câmeras corporais revelam policial militar simulando execução com roleta-russa em jovem rendido em São Paulo. Agentes foram condenados por tortura e fraude.

PM simula execução com roleta-russa em jovens rendidos em SP

Imagens de câmeras corporais de policiais militares revelaram o momento em que um agente simula uma execução utilizando a técnica de roleta-russa contra um jovem rendido em fevereiro de 2025. O incidente ocorreu durante uma operação na Favela da Caixa D'Água, no bairro de Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo. Os vídeos, obtidos pelo jornal O GLOBO e divulgados no último domingo, fazem parte do processo judicial que resultou na condenação de militares pelo Tribunal de Justiça Militar.

## Tortura com Arma não Oficial

As gravações mostram adolescentes já detidos e sentados no chão, cercados por policiais. O 1º sargento Amauri dos Santos, em um corredor estreito, aponta para a câmera corporal antes de se agachar. Ele então retira um revólver, arma que, segundo a investigação, não pertencia à Polícia Militar, gira o tambor e o aponta para a cabeça de um dos jovens, encostando-o na região do pescoço e têmpora. A acusação descreveu a ação como tortura mediante grave ameaça, com o objetivo de obter informações sobre drogas e faccionados.

## Tentativa de Ocultação e Fraude Processual

O Ministério Público Militar sustentou que a prática causou intenso sofrimento físico e psicológico aos adolescentes. Outro militar condenado, o cabo Sandro da Silva Nascimento, aparece em outras filmagens segurando um jovem pelo pescoço e apontando uma pistola em sua direção. A investigação também apontou que policiais ingressaram em residências sem mandado ou consentimento. Um ponto crucial foram os comportamentos dos agentes diante das câmeras, com gestos e tentativas de desviar ou cobrir as lentes. A acusação considerou isso uma tentativa de dificultar o registro, configurando fraude processual. No entanto, a tecnologia de gravação contínua das câmeras corporais, conhecida como modo Recall, garantiu a preservação integral das imagens, que incluíam momentos anteriores ao acionamento manual do equipamento. A auditoria também identificou inconsistências com material apreendido, levantando suspeitas de peculato.

Ao todo, nove policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público Militar. A condenação do sargento Amauri e outros envolvidos reforça a importância da fiscalização e do uso adequado dos equipamentos de segurança pública.