PF mira ex-sócio de Leo Dias em operação contra fraudes no Banco Master
Thiago Miranda, ex-sócio de Leo Dias, é alvo da PF na Operação Compliance Zero. Investigado por articular campanha de desinformação e espionagem a favor do Banco Master e contra o BC.

O empresário Thiago Miranda Silva, ex-sócio do Portal LeoDias e dono da Agência MiThi, foi alvo de busca e apreensão e busca pessoal na 10ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (9). A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), investiga supostos crimes cometidos em coautoria com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Miranda é apontado pela PF como o principal articulador do chamado "Projeto DV", uma iniciativa que teria contratado influenciadores digitais e jornalistas para defender os interesses do Banco Master e questionar a atuação do Banco Central (BC) na liquidação da instituição. Segundo a investigação, propostas a influenciadores chegavam a R$ 2 milhões para a publicação de conteúdos favoráveis ao banco, com cláusulas de confidencialidade e planejamento estratégico de postagens.
O publicitário também teria atuado na coleta de informações pessoais, profissionais e financeiras de críticos ao Banco Master. Um dos casos citados é o da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, sobre a qual a PF aponta que Miranda buscou dados para constrangê-la. Outro alvo de levantamento de informações foi Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, e sua esposa.
Em depoimento à PF em maio de 2026, Thiago Miranda admitiu ter planejado a contratação de influenciadores para defender o Master, mas alegou que sua atuação se limitava a fechar contratos e repassar conteúdos. A defesa de Miranda negou a prática de qualquer ilegalidade, afirmando que ele não participou de atos para intimidar terceiros e que a investigação em curso não autoriza juízo antecipado de culpa.
A Operação Compliance Zero apura uma possível organização criminosa ligada ao Banco Master, focada em intimidação de jornalistas, monitoramento ilícito de pessoas, obtenção indevida de informações sigilosas e interferência em investigações. Daniel Vorcaro já foi preso anteriormente e busca delação premiada. A operação já passou por diversas fases desde novembro de 2025, envolvendo decisões no STF.