PF e MP desarticulam fraudes milionárias em INSS e Prefeitura de SP
PF e MP-SP desarticulam fraudes contra INSS na Bahia e em licitações na Prefeitura de SP. Esquemas envolvem declarações falsas e direcionamento de contratos, com apreensão de dinheiro e bens.

Duas operações distintas, deflagradas pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), respectivamente, revelaram esquemas de fraudes com suspeita de desvio de milhões de reais em órgãos públicos. As investigações miram o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Prefeitura de São Paulo, com foco em irregularidades que teriam beneficiado grupos criminosos.
Na Bahia, a PF, em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), lançou uma operação para desarticular um esquema de fraudes contra o INSS. A suspeita central é o uso de declarações falsas de pertencimento a comunidades indígenas para a obtenção indevida de benefícios previdenciários, como aposentadorias rurais e salários-maternidade. Além disso, o grupo investigado teria facilitado a contratação de empréstimos consignados vinculados a esses benefícios fraudulentos. Os mandados estão sendo cumpridos em diversos municípios baianos, visando coletar provas e identificar todos os envolvidos no esquema.
Paralelamente, em São Paulo, o MP-SP, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou a Operação Ar Frio. A ação investiga dois ex-servidores da Prefeitura de São Paulo, exonerados em março deste ano, por suspeitas de fraudes em licitações. Os ex-funcionários teriam direcionado processos licitatórios em favor de empresas específicas em troca de vantagens indevidas. A investigação aponta que as irregularidades ocorreram entre 2022 e 2025. A prefeitura, que levou a denúncia ao MP e pediu a exoneração de seis servidores, não é alvo de buscas, assim como as sedes das secretarias.
A licitação sob investigação principal envolve a compra de ar condicionado, com valor estimado em R$ 1 bilhão, que chegou a ser suspensa e retomada após a exoneração dos suspeitos. Uma das frentes de apuração busca confirmar se os servidores recebiam propina, devido a indícios de incompatibilidade patrimonial. Durante as buscas nos endereços ligados aos ex-servidores na capital e região metropolitana, foram apreendidos celulares, computadores, pendrives e quantias significativas de dinheiro em espécie. Em um dos casos, foram encontrados R$ 151 mil e US$ 3 mil, enquanto no outro, R$ 8 mil e US$ 1 mil, além de moeda estrangeira guardada em um cofre. O MP apura condutas que podem configurar crimes de corrupção, fraude em licitações e lavagem de capitais, com indícios de aquisição de bens incompatíveis com os rendimentos declarados.
Ambas as operações demonstram um esforço conjunto de órgãos de controle e investigação para combater a corrupção e garantir a lisura na gestão pública e na concessão de benefícios sociais, com foco na recuperação de valores públicos desviados.