PF e Forças Integradas desarticulam facções em 14 estados

PF e FICCOs deflagram operações em 14 estados contra tráfico, lavagem de dinheiro e facções. Mais de 270 mandados de prisão e busca são cumpridos, com bloqueio de R$ 10,4 bilhões em SP.

PF e Forças Integradas desarticulam facções em 14 estados

Uma ampla ofensiva coordenada pela Polícia Federal e pelas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) foi deflagrada nesta quarta-feira (8) em 14 estados brasileiros. A operação tem como alvo organizações criminosas envolvidas em tráfico de drogas, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e outros delitos. Ao todo, estão sendo cumpridos 179 mandados de busca e apreensão e 93 mandados de prisão, além de outras medidas cautelares determinadas pelo Poder Judiciário.

As ações são parte da Operação Força Integrada III e buscam desarticular grupos criminosos que atuam em diversas frentes. As FICCOs, coordenadas pela PF, reúnem integrantes de diversas forças de segurança, incluindo Polícias Civil, Militar e Penal, Polícia Rodoviária Federal, Secretarias de Segurança Pública, Guardas Municipais e a Secretaria Nacional de Políticas Penais.

Em São Paulo, a Operação Exchange, deflagrada pela PF, mira uma organização especializada em lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. A Justiça determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos de investigados, totalizando R$ 10,4 bilhões. Entre os alvos, está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, sancionada pelos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Outro alvo, Victor Henrique de Oliveira Shimada, também sancionado pelos EUA, é considerado foragido. A operação apreendeu dinheiro em espécie, passaportes e documentos.

Na Paraíba, a Operação Consigliere, coordenada pela FICCO/PB, cumpre 59 mandados judiciais (46 de busca e 13 de prisão temporária) contra um grupo investigado por tráfico e lavagem de dinheiro. Até o momento, 16 pessoas foram presas em João Pessoa, Campina Grande e Conde, com apreensão de armas e drogas.

Em Mato Grosso do Sul, a Operação Overlord, da Polícia Civil, cumpre 31 mandados (6 de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão) contra suspeitos de tráfico e lavagem de dinheiro, com ações em Dourados (MS) e Itapema (SC). A operação conta com apoio de diversas forças estaduais e federais.

No Pará, o Ministério Público do Estado (MPPA) deflagrou a operação "Fim de Jogo" em Abaetetuba e cidades do Baixo Tocantins contra a exploração do jogo do bicho e lavagem de dinheiro. A investigação apura crimes de associação criminosa e lavagem, com suspeita de movimentação superior a R$ 40 milhões. Foram determinados o sequestro de imóveis, veículos e o bloqueio de ativos financeiros.

Em Mato Grosso, a Operação Ragnarok, da Polícia Civil, cumpre 104 ordens judiciais em Lucas do Rio Verde e região contra uma facção criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 10 milhões em 11 meses com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e posse ilegal de arma.

Em Goiás, a PF realizou a Operação "Véu de Maia" contra um esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa por meio de apostas ilegais. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Goiânia, Aparecida de Goiânia (GO), além de cidades de São Paulo e Rio Grande do Sul. A investigação aponta para o uso de 87 empresas suspeitas.

Paralelamente, uma operação do Ministério Público de Santa Catarina, denominada "Coluna Sul", cumpre 320 ordens judiciais (151 de prisão e 169 de busca e apreensão) em seis estados (SC, RS, PR, SP, MS e MG) contra o PCC. O objetivo é desarticular a atuação da facção, com foco em interromper crimes planejados ou ordenados por presos. Um suspeito morreu em confronto no Paraná durante a ação. A operação é considerada a maior do tipo já realizada pelo Gaeco/MP-SC.

As operações conjuntas demonstram um esforço ampliado das forças de segurança para combater o crime organizado em todo o território nacional, com foco em descapitalizar e desestruturar facções que atuam em diversas modalidades criminosas.