PF desvenda códigos 'Iphone' e 'bomba' de organização criminosa
Polícia Federal desmantela esquema de lavagem de dinheiro de traficantes internacionais que usavam codinomes como 'Iphone' e 'bomba' para se comunicar nos EUA.

A Polícia Federal (PF) desvendou um sofisticado esquema de comunicação utilizado por uma organização criminosa que atuava na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. As investigações, que resultaram na Operação Exchange, revelaram o uso de codinomes para disfarçar atividades ilícitas em pelo menos oito cidades dos Estados Unidos, incluindo Houston, Chicago e Los Angeles.
## Códigos e Cidades
Durante as interceptações, os criminosos empregavam o termo "Iphone" para se referir ao envio de remessas de drogas. "Bomba" e "gelado" eram utilizados para identificar celulares não rastreáveis, dificultando o trabalho de investigação das autoridades. As cores "branca", "verde" e "azul" serviam como códigos para indicar diferentes modalidades de investimento a serem realizadas com os lucros ilícitos.
## Figuras Chave e Conexões Internacionais
Entre os principais alvos da operação estão Victor Henrique de Oliveira Shimada e Ygor Fokin Saviolli, apontados como "coordenadores logísticos e financeiros do grupo". Shimada, inclusive, já havia sido sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos devido a sua ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e é considerado foragido da Justiça Federal de São Paulo. Saviolli, por sua vez, teve sua detenção em outubro de 2023 no aeroporto de Fort Lauderdale, nos EUA, e a apreensão de seu celular foram cruciais para o avanço das investigações.
## Diálogos Reveladores
Em uma das mensagens interceptadas, Saviolli instrui um interlocutor a devolver "6 Iphones", o que, segundo a PF, correspondia a uma carga de haxixe. "Ele devolve os 2.5 eu devolvo os 6 iPhones", escreveu. Em outro diálogo, ele discute a movimentação de grandes somas de dinheiro após uma reunião na Colômbia: "Fiz outra reunião hoje mais cedo na Colômbia, aqui o cara falou se prepara, hein, tem 2m só em Houston pra tirar, Chicago tem mais 5, irmão, você é louco, vai ter que se preparar". A PF estima que as mensagens se referem a milhões de dólares oriundos do tráfico internacional, movimentados por meio de criptoativos.
## Esquema de Lavagem de Dinheiro
O esquema de lavagem de dinheiro envolvia a transferência de fundos ilícitos por meio de criptomoedas. Uma planilha compartilhada por Shimada detalhava datas, cidades americanas, provedores, valores solicitados, valores contados e taxas de câmbio. O governo americano descreveu Shimada como responsável por um esquema que lavou mais de US$ 30 milhões (equivalente a R$ 155 milhões na cotação da época) em atividades criminosas.
## Defesa e Próximos Passos
A defesa de Shimada, em nota, declarou que "ainda não dispõe de acesso às decisões judiciais nem aos elementos que fundamentaram as medidas adotadas", considerando precipitado qualquer manifestação sobre os fatos. A defesa informou que analisará o caso e tomará as medidas judiciais cabíveis após o acesso aos autos e às informações oficiais.