PF desmantela núcleo familiar do PCC em esquema de lavagem de R$ 1 bilhão
PF desarticula núcleo familiar do PCC em esquema de lavagem de dinheiro. Tio e prima de líder atuavam em funções-chave para movimentar bilhões do tráfico.

A Polícia Federal (PF) identificou um núcleo familiar atuante em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, supostamente ligado ao tráfico internacional de drogas e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação, que apura a movimentação de bilhões de reais através de empresas de fachada, remessas internacionais, transporte de dinheiro em espécie e criptomoedas, aponta que o empresário Victor Shimada, considerado um dos líderes da organização criminosa, contava com a colaboração de parentes próximos em posições estratégicas.
De acordo com documentos judiciais obtidos pela reportagem, Amauri Henrique de Oliveira, tio de Victor Shimada, é apontado como o responsável por receber, transportar e entregar dinheiro em espécie, a mando do sobrinho. A PF considera sua função "essencial e habitual" para a operação do grupo.
O vínculo familiar foi confirmado por meio de consultas aos bancos de dados da própria corporação. Amauri é irmão de Geny Prussiano de Oliveira, mãe de Victor Shimada. A PF também identificou Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, filha de Amauri e, portanto, prima de Victor, como peça fundamental no esquema.
## Apoio logístico e financeiro
Stella Stefanie, que foi presa na Operação Exchange e sancionada pelo governo dos Estados Unidos, atuava em funções de apoio operacional e logístico. Segundo os investigadores, ela participava do transporte e recolhimento de dinheiro em espécie para a organização.
Um dos indícios apresentados pela PF para reforçar a ligação entre os membros da família e as empresas utilizadas no esquema é uma transferência via PIX de R$ 5 mil da empresa Victory Trading para Amauri Henrique de Oliveira Júnior, filho de Amauri. Essa movimentação financeira é vista como parte das provas que conectam os investigados às atividades ilícitas.
Victor Shimada, apontado como um dos líderes do esquema, encontra-se foragido. Stella Stefanie foi detida durante a operação, mas obteve alvará de soltura. Sua defesa argumentou que a prisão temporária não deveria ser convertida em preventiva, levando à sua liberação.
A Operação Exchange, deflagrada pela PF, visa desarticular a estrutura criminosa responsável por movimentar quantias expressivas, com suspeita de lavagem de recursos provenientes do tráfico internacional de drogas.