PF desarticula rede de cocaína em sacas de café e cimento
Polícia Federal desarticula rede de exportação de cocaína para Europa, disfarçada em sacas de café e cimento. Nove presos e um morto em SP.

## PF Desarticula Esquema Internacional de Exportação de Cocaína
A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Commodity, desarticulando uma complexa rede criminosa responsável pela exportação de aproximadamente 6,5 toneladas de cocaína para a Europa desde 2021. A droga era meticulosamente disfarçada em sacas de café, cimento e argamassa, utilizando portos brasileiros como ponto de partida para sua distribuição internacional.
A operação resultou na prisão de nove indivíduos e na morte de um suspeito em confronto com agentes em Igaratá, interior de São Paulo. Segundo a PF, a organização possuía ligações operacionais com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), duas das maiores facções criminosas atuantes no Brasil. A rede criminosa estendia suas ramificações para além das fronteiras nacionais, com conexões na Bolívia e Paraguai, na América do Sul; Alemanha, Espanha, Bélgica, Eslovênia e França, na Europa; e até mesmo na Tailândia, na Ásia.
## Mandados e Apreensões em Quatro Estados
Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 13 mandados de prisão e 44 de busca e apreensão em diversas localidades. As ações concentraram-se nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Santa Catarina. Adicionalmente, a Justiça determinou o sequestro de ativos e o bloqueio de bens que podem ultrapassar o valor de R$ 1 bilhão, visando descapitalizar a organização.
As investigações foram impulsionadas por uma apreensão significativa em setembro de 2025, quando cerca de meia tonelada de cocaína foi descoberta oculta em sacas de café no Porto do Rio de Janeiro, com destino à Eslovênia. Para burlar a fiscalização, o esquema utilizava artifícios químicos, como a diluição da droga em líquidos, e métodos de adulteração para dificultar a detecção.
## Lavagem de Dinheiro e Estrutura Financeira Paralela
A PF destacou a sofisticada estrutura financeira utilizada pelo grupo para a lavagem de dinheiro. A organização empregava diversas tipologias, incluindo empresas fictícias e de fachada, operadores financeiros (“criptodoleiros”), aquisição de bens de luxo e imóveis de alto padrão. Essa macroestrutura visava ocultar o patrimônio gerado pelas atividades ilícitas.
Os investigados responderão judicialmente pelos crimes de organização criminosa transnacional, tráfico internacional de drogas e lavagem de capitais. A Operação Commodity contou com o apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de São Paulo e Minas Gerais, demonstrando a colaboração entre diferentes órgãos no combate ao crime organizado.