PF desarticula esquema de lavagem de dinheiro ligado a fraudes no INSS
Operação da PF investiga esquema de lavagem de dinheiro envolvendo R$ 6,3 bilhões em fraudes contra o INSS, mirando parentes do senador Weverton Rocha e o advogado Willer Tomaz.

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (4) a Operação Sem Desconto, visando desarticular um esquema de lavagem de dinheiro que teria desviado até R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação aponta para o envolvimento de parentes do senador Weverton Rocha (PDT), vice-líder do governo, e do advogado Willer Tomaz.
## Investigação Aprofundada
As ações da PF ocorreram em Brasília e no Maranhão, com foco principal em um escritório do advogado Willer Tomaz em Brasília. Durante as buscas, foram encontrados dois cofres, uma máquina de contar dinheiro e maços de reais escondidos em livros-cofre. Agentes apreenderam ainda quatro aviões de empresas ligadas a Tomaz e recolheram R$ 345 mil em espécie na capital federal. O Ministério Público, inicialmente, se mostrou contrário aos pedidos de busca, defendendo que a quebra de sigilo seria suficiente. No entanto, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a operação, destacando o papel do senador Weverton Rocha na formulação de demandas, indicação de beneficiários e acompanhamento de pagamentos, além de descrever a estrutura de Tomaz como um "verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico".
## Envolvimento Familiar e Prefeitos
Entre os alvos da operação estão a esposa do senador, Samya Rocha, a filha Anna Catarina Rocha, e duas irmãs dele, Geyse Rocha Linhares e Shainess Rocha Marques de Sousa. A PF suspeita que a conta pessoal de Samya Rocha recebia valores elevados de empresas ligadas a Willer Tomaz, totalizando mais de R$ 11 milhões em 2024, como forma de ocultar os recursos desviados. Uma das estratégias identificadas para a ocultação de bens seria a compra de imóveis. A PF aponta uma casa adquirida por R$ 6 milhões em abril de 2023, registrada em nome de uma empresa associada a Willer Tomaz, como pertencente a Weverton Rocha.
Adicionalmente, a operação cumpriu mandado contra Fred Campos (PSB), prefeito de Paço do Lumiar (MA). Segundo a PF, uma empresa ligada a ele teria transferido R$ 5 milhões para uma das empresas investigadas no esquema.
## Reações e Próximos Passos
O senador Weverton Rocha declarou que as movimentações financeiras investigadas são resultado de atividades profissionais e empresariais lícitas, devidamente declaradas à Receita Federal. Willer Tomaz negou qualquer envolvimento com os fatos apurados, afirmando que os repasses a Samya Rocha se referem a pagamentos por serviços advocatícios prestados. Fred Campos, por sua vez, explicou que a transferência de R$ 5 milhões ocorreu devido ao arrendamento de postos de combustível para a empresa da família do senador.
A investigação teve início após a análise de um celular apreendido do senador Weverton Rocha em dezembro, quando ele já havia sido alvo de mandados de busca. A PF suspeita que ele utilizou parentes para ocultar bens e lavar dinheiro proveniente das fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. O senador não foi alvo de mandados de prisão ou busca nesta fase da operação.