PF cita PCC uma vez em pedido de prisão contra alvos dos EUA
PF cita PCC apenas uma vez em pedido de prisão contra alvos sancionados pelos EUA. Investigação brasileira sobre lavagem de dinheiro não encontra vínculos diretos com a facção criminosa.

Uma investigação da Polícia Federal (PF) que apura uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro não encontrou evidências robustas que liguem os alvos diretamente ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A representação da PF, com 79 páginas, menciona a facção criminosa em apenas uma ocasião, em uma conversa que sugere a atuação de um suposto ex-membro.
As informações contrastam com a sanção aplicada pelo Tesouro americano em 1º de julho, que acusou dois brasileiros, três empresas do Brasil e uma de Portugal de operar uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Esta foi a primeira vez que o governo dos EUA declarou a facção como narcoterrorista desde 2019. Três dias após a sanção americana, a PF deflagrou a Operação Exchange contra o mesmo grupo.
Dois dos alvos sancionados pelos EUA, Victor Henrique de Oliveira Shimada (foragido) e Stella Stefanie de Oliveira (presa), foram também alvos da operação brasileira. Eles são acusados de integrar uma associação criminosa transnacional responsável por movimentar cerca de R$ 10,3 bilhões através de uma estrutura financeira, empresarial e tecnológica voltada para lavagem e ocultação de bens.
## Referência ao PCC na Investigação
A única menção ao PCC na representação da PF aparece em um diálogo entre Shimada e outro investigado, Carlos Henrique Costa Almeida. Segundo o relato, Almeida teria consultado Shimada sobre a disponibilidade de euros para venda, pois um indivíduo descrito como ex-membro do PCC estaria interessado em adquirir a moeda para receber um milhão de reais no Brasil. Shimada teria se comprometido a tentar organizar a operação. A passagem se refere a um suposto ex-membro, e não a um integrante ativo da facção.
## Operação e Mecanismos de Lavagem
De acordo com a apuração, Shimada atuava como uma espécie de doleiro digital. Ele combinava a conversão de dinheiro em criptoativos com o método conhecido como “dólar-cabo”, utilizando empresas de fachada e laranjas. O objetivo era pulverizar os depósitos e dificultar a identificação dos beneficiários finais.
## Contraste entre Investigações
A discreta menção ao PCC na investigação da PF levanta questões sobre a base das sanções impostas pelos Estados Unidos. Enquanto os EUA apontam um vínculo direto com a facção, a apuração brasileira focou na complexa operação de lavagem de dinheiro, sem estabelecer uma ligação formal e explícita com a estrutura atual do PCC.