Pezão: Ônibus incendiados são reação do tráfico no Rio
Governador do Rio atribui incêndios em ônibus a reação do tráfico após operações policiais. Sete coletivos foram incendiados em menos de 24 horas na região metropolitana, em meio a disputa territorial e protestos.

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, declarou que os dois ônibus incendiados na manhã de sexta-feira (15 de maio de 2015), nas proximidades do Morro de São Carlos, na região central da cidade, foram uma resposta direta de traficantes às operações policiais em curso. Pezão mencionou que ações similares ocorreram em Japeri e Queimados, onde outros cinco ônibus foram carbonizados, e afirmou que as forças de segurança estão atuando em toda a área do Chapadão para combater a criminalidade.
## Ataques e Disputa Territorial
Os incêndios nos coletivos na região central ocorreram em meio a protestos pela morte de dois moradores do Morro de São Carlos. Com esses incidentes, o total de ônibus incendiados no Rio de Janeiro e em municípios da região metropolitana chegou a pelo menos sete em menos de 24 horas. A situação ocorre em um contexto de intensa disputa territorial entre facções criminosas, que se intensificou nas favelas da área central desde a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em 2011. Segundo relatos, a disputa já resultou em 12 mortes, abrangendo nove favelas em três bairros próximos a locais de grande visibilidade como o sambódromo, a prefeitura e a sede do Comitê Organizador da Olimpíada de 2016.
## Investigação e Contexto dos Incêndios
A Polícia Civil iniciou perícia nos locais onde os corpos foram encontrados na manhã de sexta-feira (15) no Morro de São Carlos. Moradores locais relataram que os falecidos eram mototaxistas e teriam sido mortos por policiais do Bope durante uma operação na quinta-feira (14). O delegado Rivaldo Barbosa, diretor da Divisão de Homicídios, informou que a investigação buscará identificar as causas das mortes e os responsáveis, sejam policiais militares ou traficantes envolvidos em conflitos.
Em relação aos incêndios na Baixada Fluminense, ocorridos na noite de quinta-feira (14) na comunidade do Guandu, em Japeri, testemunhas relataram que criminosos pararam os veículos, exigiram um pedágio dos motoristas e, após a recusa, ordenaram a saída dos passageiros antes de atear fogo aos ônibus. Ainda não há confirmação sobre a relação entre os ataques na Baixada e os ocorridos na área central do Rio.