Pesquisadora: Combate ao crime foca em líderes que já não existem

Pesquisadora critica estratégia de segurança pública brasileira que foca em lideranças de facções, argumentando que o crime organizado opera de forma reticular e interligada.

Pesquisadora: Combate ao crime foca em líderes que já não existem

A estratégia de segurança pública no Brasil, focada na prisão ou eliminação de grandes lideranças de facções criminosas, tornou-se obsoleta. Segundo a pesquisadora Carolina Grillo, do GENI-UFF, o Estado ainda persegue uma estrutura hierárquica que, na prática, se transformou em um formato reticular, onde diferentes mercados ilegais operam interligados por atores intermediários.

Grillo aponta que a visão simplista de organizações como PCC e Comando Vermelho como pirâmides, onde a prisão do "chefão" desmantelaria a estrutura, é um equívoco. As lideranças são facilmente substituíveis e a concentração de esforços na captura de líderes ignora a sustentação econômica dessas facções.

Para combater efetivamente o crime organizado, Grillo defende uma mudança de foco. A estratégia deve priorizar inteligência financeira, investigação patrimonial e a desarticulação das redes econômicas e políticas que sustentam as organizações, em vez de uma busca míope por figuras centrais.