Pai de jovem morto por PMs clama por justiça após absolvição

Pai de jovem morto por PMs em Paraisópolis (SP) critica absolvição dos policiais como discriminação social. MP recorre da decisão.

Pai de jovem morto por PMs clama por justiça após absolvição

A absolvição de dois policiais militares acusados de matar Igor Oliveira de Moraes Santos, 24, em julho do ano passado na favela de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, gerou profunda indignação no pai da vítima. Magdo de Moraes Santos, 48, classificou a decisão como um ato de "discriminação por ser pobre e nascido na favela", expressando sua revolta e incredulidade.

O caso, julgado no Fórum da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista, culminou na noite de quinta-feira (30) com a votação dos jurados. Apesar de reconhecerem os policiais militares Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima como os autores dos disparos que resultaram na morte de Igor, os sete jurados optaram pela absolvição da acusação de homicídio qualificado. Segundo o relato do pai, Igor estava rendido e com as mãos na cabeça quando foi atingido.

## Repercussão e Luta por Justiça

Em depoimento emocionado, Magdo de Moraes Santos relatou que os jurados pareceram julgar seu filho "pelo que ele era, de comunidade, pobre, usuário de droga, morador de favela, com passagem pela Fundação Casa", em vez de considerar sua humanidade e laços familiares. Ele expressou a crença de que a decisão foi influenciada por preconceitos sociais, contrastando com sua expectativa de justiça. "Tinha certeza que iam fazer justiça, mas o pensamento [dos jurados] foi diferente: 'Já está morto, e os policiais têm que voltar para a família deles'", desabafou o pai.

Magdo, que nasceu e se criou em Paraisópolis, defendeu a comunidade como um local de "pessoas de bem" e classificou a ação dos policiais como "covardia" e "crueldade". Ele declarou que lutará "até o fim" para que a justiça seja feita, invocando sua fé e o instinto paterno como motivadores. A comunidade acompanhou o julgamento com apreensão, aguardando um desfecho que, para muitos, se mostrou contrário às evidências.

## O Processo Judicial e Próximos Passos

O julgamento, iniciado na terça-feira (28), contou com depoimentos de testemunhas e a apresentação de argumentos pela acusação e defesa. As gravações de câmeras corporais dos policiais foram apresentadas, evidenciando os momentos dos disparos. Conforme a legislação, os jurados responderam a quesitos sobre materialidade e autoria, reconhecendo a participação dos agentes. A decisão final pela absolvição foi tomada por maioria, sem a necessidade de justificativas formais por parte dos jurados.

Desde 1996, crimes dolosos contra a vida cometidos por policiais militares são julgados pela Justiça comum, em júris populares. A defesa dos policiais argumentou que a ação foi um caso de legítima defesa diante de um risco iminente. No entanto, o Ministério Público, representando a vítima e seus familiares, já ingressou com recurso contra a decisão, considerando-a "manifestamente contrária às provas produzidas nos autos". Os assistentes de acusação classificaram o ocorrido como "uma execução sumária".