Operações Policiais Letalidade: Foco em Áreas do CV na Baixada Fluminense
Pesquisa revela que operações policiais letais na Baixada Fluminense concentram-se em áreas do Comando Vermelho. Cinco municípios lideram o número de mortes entre 2020 e 2025.

Uma pesquisa divulgada pela IDMJRacial (Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial) aponta que a letalidade de operações policiais na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro, concentra-se em territórios identificados como dominados pelo Comando Vermelho (CV). O estudo, que abrange o período de 2020 a 2025, identificou que cinco municípios da região são responsáveis por 75% das mortes registradas em ações policiais.
## Municípios mais afetados
Duque de Caxias, Belford Roxo, São João de Meriti, Nova Iguaçu e Japeri lideram o ranking de vítimas. Durante o período analisado, foram registradas 5.298 operações policiais, resultando em 282 mortos, 652 feridos, 5.783 prisões e 41 adolescentes apreendidos. Duque de Caxias apresentou o maior número de mortes, com 66 vítimas, seguido por Belford Roxo (48 mortos) e São João de Meriti (41 mortos).
A Polícia Civil atribui o aumento das operações à retomada completa de suas atividades após a pandemia e à criação de delegacias especializadas, além de justificar a concentração pela forte presença de organizações criminosas armadas. A Polícia Militar não se pronunciou sobre os dados.
##Análise territorial e participação policial
A IDMJRacial detalhou que a concentração territorial foi identificada a partir da análise específica das áreas atingidas pelas operações. Kharine Gil, pesquisadora responsável pelo estudo, destacou a convergência entre os locais mais impactados e as áreas de domínio do CV. O 15º Batalhão da Polícia Militar, responsável por Duque de Caxias, foi a unidade com maior número de operações e mortes.
A pesquisa foi realizada a partir da coleta manual de publicações das próprias polícias em redes sociais. Embora o número total de operações tenha apresentado queda nos últimos anos, a taxa de letalidade em ações da Polícia Civil chamou atenção, com um aumento significativo de 2% em 2024 para 18% em 2025.
##Armamento e apreensões
Entre as apreensões realizadas, destacam-se pistolas (21% dos registros) e rádios comunicadores (19,9%). Fuzis representaram 5,5% das apreensões. A pesquisa levanta questionamentos sobre a proporcionalidade entre o armamento encontrado e a força empregada nas operações, com apreensões de rádios comunicadores sendo mais frequentes em algumas ações analisadas.