Operação Vinculum: Seis PMs são alvos de investigação por mortes em Salvador

Seis policiais militares são alvos da Operação Vinculum em Salvador, investigados por homicídios qualificados e fraude processual em mortes ocorridas em 2025.

Operação Vinculum: Seis PMs são alvos de investigação por mortes em Salvador

O Ministério Público da Bahia (MP-BA), em colaboração com a Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) e a Polícia Militar, deflagrou na manhã desta sexta-feira (17) a Operação Vinculum. A ação visa cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra seis policiais militares. Os agentes são investigados pelas mortes de Kaíque Reis dos Santos, de 16 anos, e Mateus Daniel Chagas da Silva, de 21, ocorridas durante uma operação policial no bairro de São Marcos, em Salvador, em setembro de 2025.

## Investigações Apontam Execução e Alteração de Cena

As ordens judiciais estão sendo cumpridas em Salvador e Lauro de Freitas, na Região Metropolitana. Segundo o MP-BA, as investigações, conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp), apontam para a hipótese de que as vítimas foram executadas e que a cena do crime teria sido alterada. Essa versão diverge daquela apresentada inicialmente pelos policiais, que alegaram ter havido um intenso confronto armado.

Os mandados foram expedidos pelo 2º Juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri da capital baiana. A operação tem como objetivo a coleta de provas complementares para o inquérito. Os policiais são investigados por homicídios qualificados e fraude processual.

## Relembrando o Caso e Afastamento de Policiais

As mortes ocorreram na manhã de 28 de setembro de 2025. Na época, a versão oficial indicava que policiais militares realizavam rondas quando encontraram dois homens armados, que teriam reagido a uma abordagem, resultando em troca de tiros. Kaíque e Mateus foram socorridos, mas não resistiram aos ferimentos. Contudo, moradores locais contestaram essa narrativa, e vídeos que circularam nas redes sociais mostraram os jovens sendo carregados desacordados por policiais em meio a protestos.

Três dias após o incidente, em 1º de outubro de 2025, a Polícia Militar informou o afastamento das atividades operacionais dos policiais envolvidos. Na ocasião, foi assegurado que as investigações ocorriam em duas frentes: uma administrativa, pela Corregedoria-Geral, e outra criminal, pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A corporação declarou que desvios de conduta seriam apurados, garantindo o contraditório e a ampla defesa aos investigados.