Obra onde operário morreu já havia sido embargada por falhas
Obra em Campo Grande onde operário caiu do 19º andar já havia sido embargada pelo MTE por falhas de segurança cerca de 30 dias antes do acidente fatal.
A obra residencial onde o operário José Ricardo Martins faleceu após cair do 19º andar, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, já havia sido embargada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) cerca de 30 dias antes do acidente. A informação foi divulgada pelo superintendente regional do Trabalho, Alexandre Cantero, durante uma inspeção realizada no edifício nesta terça-feira (7).
Segundo Cantero, a interdição ocorreu no final de maio devido à falta de observância das normas de proteção coletiva aos trabalhadores. A suspensão dos serviços permaneceu até que as irregularidades fossem sanadas. "Nós estamos em investigações preliminares com a inspeção fiscal. Já identificamos que houve uma falha estrutural onde esses trabalhadores prestavam serviço. E, claro, não apenas essa falha estrutural, mas outras irregularidades que estão sendo também apuradas", declarou.
O procurador do Trabalho Paulo Douglas Almeida de Moraes, do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS), que também acompanhou a vistoria, apontou outros pontos sob análise. "Esse acidente já aconteceu próximo das 19h, com pouca iluminação. Você concretando um espaço, será que aquele concreto foi depositado na quantidade adequada? Será que havia condições de visualizar a adequada operação do serviço? Tudo isso tem que ser previamente orientado pelo empregador", disse. Ele também mencionou a complexidade da situação com a presença de diversas empresas terceirizadas no canteiro de obras, o que pode dificultar a implementação de políticas de prevenção eficazes.
O acidente ocorreu na noite de segunda-feira (6), quando José Ricardo e outro colega trabalhavam em uma estrutura externa a cerca de 35 metros de altura. A estrutura cedeu, resultando na queda fatal de Martins. Seu colega conseguiu retornar ao andar. O Samu e o Corpo de Bombeiros foram acionados, mas a vítima não resistiu.
A investigação sobre as causas da queda está sendo conduzida de forma conjunta pelo MTE, MPT-MS, Polícia Civil e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS). Cada órgão atua em sua esfera para apurar as circunstâncias do ocorrido, as condições de trabalho e os aspectos técnicos da construção.
A incorporadora Incorpore Realty, responsável pelo empreendimento, confirmou que José Ricardo era funcionário de uma empresa terceirizada. Em nota, a empresa reiterou que seus empreendimentos seguem rigorosos protocolos de segurança, incluindo equipamentos de proteção coletiva, treinamentos periódicos e exigência do uso de EPIs. A construtora afirmou ainda que está colaborando com as autoridades para esclarecer o acidente e expressou solidariedade aos familiares e colegas da vítima.