Nepotismo e Desvio: Família de Deputado é Envolvida em Esquema no Rio
Pai e cunhada de deputado estadual são presos no RJ por nepotismo e participação em esquema de desvio de R$ 86 milhões no Instituto Rio Metrópole.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) revelou um esquema de desvio de recursos públicos que teria movimentado R$ 86,28 milhões entre julho de 2022 e maio de 2026, tendo como centro o Instituto Rio Metrópole (IRM). Durante as investigações, promotores identificaram um caso de nepotismo envolvendo familiares do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), embora o parlamentar não seja alvo direto da operação. Foram presos o pai do deputado, Maurício Silva Knoploch dos Santos, que ocupava o cargo de diretor de Planejamento e Projetos do IRM e integrava a Comissão Técnica de Licitação, e a nora de Maurício, Amanda Íthala Santos da Paschoa, que ocupa cargo comissionado na autarquia desde 2020.
## Direcionamento de Licitações e Favorecimento Indevido
Segundo o Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf), do MPRJ, Maurício Knoploch dos Santos era responsável por direcionar licitações em favor de empresas específicas. Suas atribuições incluíam a coordenação do planejamento estratégico e a elaboração de estudos e projetos metropolitanos. O Ministério Público argumenta que o vínculo familiar entre Maurício e Amanda constitui um "favorecimento indevido na ocupação de função pública estratégica", violando expressamente o decreto estadual que proíbe o nepotismo na administração pública.
## IRM Capturado por Organização Criminosa
O procurador-geral de Justiça do Rio, Antonio José Campos Moreira, destacou que, até o momento, não há indícios da participação direta ou indireta do deputado Alexandre Knoploch no esquema. Ele ressaltou o ambiente atual de atuação integrada e independente entre as instituições para investigar crimes e atos de improbidade administrativa. A denúncia do Gaesf descreve o Instituto Rio Metrópole como uma organização criminosa que capturou a autarquia, transformando-a em uma "máquina de desvio de dinheiro público". A acusação aponta que a diretoria, procuradores e servidores teriam ocupado cargos estratégicos para fraudar licitações, dar aparência de legalidade aos contratos, impedir fiscalizações e garantir o fluxo de recursos desviados, visando o "enriquecimento privado".
## "Caixa de Gordura" no Estado
Na decisão que decretou a prisão de seis denunciados, o juiz Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, foi enfático ao afirmar que "O Estado do Rio de Janeiro chegou ao fundo do poço e descobriu que ainda havia uma caixa de gordura". O deputado Alexandre Knoploch expressou surpresa com as prisões de seu pai e cunhada, afirmando em suas redes sociais que seu pai estava no IRM desde 2019, nomeado pelo ex-governador Wilson Witzel, e que sua permanência não foi uma indicação sua. As defesas de Maurício e Amanda não se manifestaram até o momento.