MP pede afastamento de delegado por suspeita de abuso e violência
MP de Roraima pede afastamento de delegado por suspeitas de abuso de autoridade, violência doméstica e ameaças. Medida visa proteger vítimas e garantir investigações.

O Ministério Público de Roraima (MPRR) solicitou à Justiça o afastamento cautelar do delegado da Polícia Civil Alexandre Henrique de Matos Lima, que chefia a Delegacia de Polícia Interestadual (Polinter). A medida visa apurar uma série de investigações que apontam supostos crimes de abuso de autoridade, violência psicológica, ameaças, injúrias, constrangimento ilegal e violência doméstica cometidos pelo delegado.
A representação, apresentada à Vara de Garantias de Boa Vista, detalha que o delegado responde a quatro investigações distintas, iniciadas entre 2025 e 2026. O MPRR argumenta que a permanência de Lima no cargo pode comprometer o andamento das apurações e colocar em risco vítimas e testemunhas envolvidas nos casos.
Além do afastamento, o órgão ministerial pede a suspensão do porte de arma de fogo, o recolhimento da arma funcional, da carteira e das munições. Também foi solicitado o bloqueio de acesso aos sistemas policiais, a proibição de frequentar unidades da Polícia Civil, o impedimento de contato com vítimas e testemunhas, e a obrigatoriedade de comparecimento periódico em juízo.
## Casos sob investigação
Um dos procedimentos que motivaram o pedido de afastamento teve origem em julho de 2025, após um desentendimento com uma agente da Polícia Civil no estacionamento da Delegacia-Geral. A agente relatou ter sido vítima de ofensas verbais, com parte dos fatos corroborada por testemunhas e outros policiais. O caso é investigado como suposta injúria.
Outro inquérito apura fatos ocorridos em junho deste ano em um condomínio residencial. Duas funcionárias denunciaram ameaças, violência psicológica, injúrias e constrangimento ilegal durante discussões relacionadas à mudança do delegado para o local. A representação também indica o uso indevido de equipes policiais em um conflito de natureza privada.
Um terceiro episódio, registrado em junho de 2026 em um hotel, também é citado. Um empresário alegou ter sido ofendido pelo delegado e, posteriormente, alvo de uma ação policial baseada em uma denúncia que o MP considera falsa. Este procedimento investiga possíveis crimes de abuso de autoridade e denunciação caluniosa.
A representação do Ministério Público ainda menciona um inquérito que apura violência doméstica e familiar contra a esposa do delegado, para o qual já foi concedida medida protetiva de urgência em favor da vítima.
## Histórico e fundamentação
Conforme informações da Corregedoria-Geral da Polícia Civil, Alexandre Henrique de Matos Lima respondeu, desde 2005, a pelo menos 47 procedimentos administrativos e criminais por denúncias de abuso de autoridade, ameaça, injúria e extorsão, entre outras infrações. Embora parte desses procedimentos tenha sido arquivada ou resultou em absolvição, o MPRR sustenta que o histórico demonstra um padrão de conduta reiterada que justifica as medidas cautelares.
O Ministério Público argumenta que os elementos reunidos indicam risco concreto de reiteração das condutas e de interferência nas investigações. A medida cautelar visa preservar a instrução criminal, proteger as vítimas e testemunhas, e garantir a credibilidade dos inquéritos.
A Polícia Civil de Roraima informou que o caso tramita em segredo de Justiça e que todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas. A corporação confirmou que, administrativamente, o porte de arma de fogo do delegado já foi suspenso e que o caso é acompanhado pela Corregedoria-Geral.