MP de SP: Ex-servidores da Prefeitura são investigados por fraudes milionárias em licitações

Dois ex-servidores da Prefeitura de SP são investigados por fraudes em licitações milionárias, corrupção e lavagem de dinheiro. Operação 'Ar Frio' apura direcionamento de contratos, como compra de ar condicionado por R$ 1 bilhão.

MP de SP: Ex-servidores da Prefeitura são investigados por fraudes milionárias em licitações

O Ministério Público de São Paulo deflagrou, nesta terça-feira (7), a Operação Ar Frio, mirando dois ex-servidores da Prefeitura de São Paulo. Eles são suspeitos de envolvimento em fraudes em licitações, com indícios de corrupção e lavagem de dinheiro. Os investigados foram exonerados em março deste ano.

Segundo as apurações, um dos ex-servidores atuava na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras (SIURB), enquanto o outro era coordenador de licitações na Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB). A dupla teria direcionado processos licitatórios para empresas e grupos específicos em troca de vantagens indevidas. A investigação aponta que os valores obtidos nas negociações seriam incompatíveis com os rendimentos declarados pelos envolvidos, levantando suspeitas de aquisição de bens como imóveis e veículos por meio de "laranjas" ou interpostas pessoas, configurando ocultação de patrimônio de origem ilícita.

A principal licitação sob escrutínio é a compra de aparelhos de ar condicionado, orçada em R$ 1 bilhão. Este processo chegou a ser suspenso e, posteriormente, retomado após a exoneração dos servidores. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-SP recebeu uma denúncia sobre o caso em fevereiro e suspeita que os ex-funcionários recebiam propina, evidenciada por uma possível incompatibilidade patrimonial.

As buscas e apreensões ocorreram em endereços ligados aos dois ex-servidores na capital paulista e na região metropolitana. O objetivo da operação é coletar documentos, celulares e outras informações que auxiliem no aprofundamento da investigação. Em uma das residências, agentes apreenderam cerca de R$ 100 mil em espécie. Os fatos estão sendo analisados sob a ótica dos crimes de corrupção, fraude em licitações e lavagem de capitais.

É importante ressaltar que nem a Prefeitura de São Paulo nem as sedes das secretarias envolvidas são alvo de buscas ou investigações nesta operação. A investigação está em fase inicial, mas já aponta para um esquema que pode ter movimentado valores expressivos, com possíveis desdobramentos para outras esferas do poder público.