Médica presa em esquema de livros pagou fiança e usa tornozeleira

Médica suspeita em esquema de R$ 27 milhões na compra de livros é liberada após pagar fiança e usar tornozeleira. Operação Gutenberg investiga fraude envolvendo SUS e prefeituras no MS.

Médica presa em esquema de livros pagou fiança e usa tornozeleira

A médica Olívia Paroschi Jafar, investigada na Operação Gutenberg por suspeita de envolvimento em um esquema de fraude que movimentou R$ 27 milhões, foi liberada da prisão após pagar fiança e agora utiliza tornozeleira eletrônica. A prisão ocorreu em 7 de julho, e sua soltura no sábado, 18 de julho, foi confirmada por sua defesa.

Olívia Jafar, que se apresentava nas redes sociais como especialista em estética e emagrecimento, é sócia-administradora da empresa Jafar Estética e Saúde. Essa empresa funciona no mesmo endereço da Clínica Ross, onde ela realizava procedimentos estéticos, como aplicação de enzimas para redução de gordura localizada. Além disso, a médica mantinha um contrato de prestação de serviços com a Santa Casa de Campo Grande como responsável técnica, atendendo pacientes particulares e de convênios, com uma remuneração de R$ 125 por hora trabalhada.

A defesa de Olívia Jafar, representada pela advogada Estella Bauermeister, afirmou que o contrato com a Santa Casa não tem relação com os fatos investigados na Operação Gutenberg. Segundo a defesa, o contrato apenas formalizava a prestação de serviços médicos em regime de plantão.

## Investigação do Esquema

A Operação Gutenberg investiga uma organização criminosa suspeita de usar a regulação de vagas, exames e cirurgias do Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso do Sul como forma de pressionar prefeitos a adquirir livros da Editora Avante. As investigações apontam que o esquema teria movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos considerados fraudulentos entre 2022 e 2024.

O grupo é suspeito de interferir nos setores de compras de prefeituras, fornecendo um manual com orientações para direcionar contratações por inexigibilidade de licitação. O material continha instruções sobre estudos técnicos, pareceres jurídicos e emissão de notas fiscais. A organização é vista como uma sucessão familiar de um esquema investigado anteriormente na Operação Lama Asfáltica, sob o comando de Rossana Paroschi Jafar, mãe de Olívia.

## Outros Envolvidos

Além de Olívia, a operação também resultou na prisão de outros indivíduos, incluindo a mãe dela, Rossana Paroschi Jafar, e os irmãos Felipe Paroschi Jafar e Giovanni Paroschi Jafar, que permanecem detidos. Outras prisões incluem Rhayane Souza Fanaia, ex-nora de Rossana; Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, ex-prefeito de Fátima do Sul; Ed Carlo Britto Burgatt, coordenador de regulação de Mato Grosso do Sul; Francisco Anizio dos Santos; Matheus Oliveira Peixoto; os empresários Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo; Gabriel Taquino de Paula; Jessyca Duarte Burgatt, filha de Ed Carlo Britto Burgatt, que já foi liberada; Joatan Gomes Peixoto, também liberado com tornozeleira eletrônica; e Geancarlo Leal de Freitas, servidor público solto. Heyder Bartz é o único foragido, apontado como um dos chefes da suposta organização.

Segundo o Gaeco, Ed Carlo Britto Burgatt, na época coordenador de regulação da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS), teria utilizado seu cargo para favorecer ou prejudicar municípios de acordo com os interesses da Editora Avante. A defesa de Olívia Jafar alega que a Justiça reconheceu que ela não integra o núcleo que chefia a organização criminosa.