Mãe denuncia violência obstétrica após perder bebê em hospital do DF

Mãe denuncia violência obstétrica após perder bebê em hospital público do DF. Casos de suposta negligência levantam preocupação sobre a rede de saúde.

Mãe denuncia violência obstétrica após perder bebê em hospital do DF

Uma mãe de 34 anos, Luciana Ferreira, registrou um boletim de ocorrência no Distrito Federal alegando violência obstétrica após a perda de sua primeira filha, Helena. Segundo o atestado de óbito, a bebê sofreu parada cardiorrespiratória e falta de oxigênio. Este caso se soma a outras quatro denúncias de suposta negligência em hospitais públicos da região, registradas apenas na última semana.

## Relato e Protocolos Médicos

Luciana procurou o Hospital de Planaltina em 26 de junho, sentindo dores de parto. Inicialmente, a equipe médica indicou que o parto deveria ser por cesariana, pois a bebê estava em posição transversal. No entanto, após retornar para casa por orientação da equipe, e com a persistência das dores, ela voltou ao hospital. Desta vez, a orientação foi para parto normal, apesar das queixas da gestante e da recomendação anterior. "Chegou essa enfermeira, 'deu' o toque em mim e falou 'mãezinha, vamos colocar bebê pra nascer?' Estourou minha bolsa com uma escovinha e começou [a falar] 'faz força'. Até que ela reparou que colo do útero inchou, daí ela parou", relatou Luciana.

Após três dias de idas e vindas ao hospital, a bebê nasceu sem vida. Luciana expressou sua dor e busca por justiça, afirmando "Teve falha, negligência médica, falta de empatia. Fui trazer minha filha e não trouxe. Foi pro cemitério. Eu queria só justiça pela minha filha. Ela não merecia isso".

## Reações e Medidas

A Secretaria de Saúde do DF informou ao Ministério Público que apresentará um plano de contingência. Em relação à carência de obstetras, a pasta mencionou a previsão de contratação temporária de profissionais, justificando a impossibilidade de realizar concurso público durante o período eleitoral. O Ministério Público, por sua vez, defende uma solução estrutural e acompanha a necessidade de realocação de enfermeiros obstetras que foram transferidos para outras unidades durante a pandemia e ainda não retornaram aos centros obstétricos.

A governadora Celina Leão (PP) comentou os casos recentes, reconhecendo o sucateamento da rede pública de saúde. O Ministério da Saúde declarou estar em contato com a Secretaria de Saúde do DF para acompanhar as apurações e oferecer apoio técnico.