Lavagem de Dinheiro: PF e MP desarticulam esquemas em 4 estados

PF e MP deflagram operações em 4 estados contra lavagem de dinheiro em postos, apostas ilegais, jogo do bicho e tráfico, com movimentação de bilhões e milhões.

Lavagem de Dinheiro: PF e MP desarticulam esquemas em 4 estados

Diversas operações policiais e do Ministério Público foram deflagradas em diferentes estados brasileiros, visando combater esquemas complexos de lavagem de dinheiro e organização criminosa. As ações, que ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Pará e Mato Grosso do Sul, com desdobramentos em Santa Catarina, expuseram atividades ilícitas que movimentaram cifras bilionárias e milionárias.

No Rio de Janeiro, a 6ª fase da Operação "Unha e Carne", conduzida pela Polícia Federal, investiga uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos. O esquema teria utilizado uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como fachada. Entre os alvos da PF estão Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e presidente do União Brasil RJ, e o delegado Marcus Amin, ex-secretário da Polícia Civil do estado. A investigação, que também conta com a participação de agentes públicos, apura crimes como organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro.

Em Goiás, a operação "Véu de Maia", também da PF, mira a lavagem de dinheiro proveniente de apostas ilegais (bets). Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Goiânia, Aparecida de Goiânia, além de cidades de São Paulo e Rio Grande do Sul. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, 87 empresas estariam envolvidas na intermediação de recursos de apostas irregulares. O nome da operação faz alusão à "ilusão" ou "magia" que as empresas formalmente constituídas, mas usadas para ocultar a origem dos recursos, criariam.

No Pará, o Ministério Público do Estado (MPPA) realizou a operação "Fim de Jogo" em Abaetetuba e cidades do Baixo Tocantins. A ação combate o jogo do bicho e a lavagem de dinheiro, com investigações apontando movimentação superior a R$ 40 milhões. Medidas cautelares incluem o sequestro de imóveis e veículos, bloqueio de ativos financeiros na ordem de R$ 43,9 milhões, indisponibilidade de quotas sociais de empresas e interdição de locais usados para jogos de azar. O dinheiro do jogo do bicho era ocultado por meio de empresas e pessoas jurídicas com diversas atividades econômicas.

Já em Mato Grosso do Sul, a Polícia Civil deflagrou a Operação Overlord contra tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, com foco em Dourados. A operação cumpre 6 mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão, com desdobramentos em Itapema (SC), onde um mandado de prisão e dois de busca são executados. A ação conta com apoio de diversas forças de segurança estaduais e federais, incluindo a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Civil de Santa Catarina, utilizando inclusive aeronaves para ampliar a capacidade operacional.

Essas operações demonstram a atuação coordenada das forças de segurança para desarticular organizações criminosas que operam em diversas frentes, desde a lavagem de dinheiro em postos de combustível e jogos ilegais até o tráfico de drogas, com impacto em múltiplos estados e movimentação financeira expressiva.