Justiça solta jovens acusados de tentar matar PMs após análise de câmeras

Justiça do RJ solta jovens presos desde 2024 acusados de tentar matar PMs. Análise de câmeras corporais de policiais apontou ausência de confronto e de armas com o grupo.

Justiça solta jovens acusados de tentar matar PMs após análise de câmeras

A Justiça do Rio de Janeiro decidiu pela soltura de Renan dos Santos Nascimento Silva e Douglas Mendes da Silva, que estavam presos desde 2024 sob a acusação de tentativa de homicídio contra dois policiais militares. A decisão da 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) foi unânime e baseada na análise de imagens de câmeras corporais dos próprios policiais, que indicaram a ausência de um confronto e de armas com o grupo.

## Análise de Imagens e Projeto Mirante

O caso ocorreu em 28 de outubro de 2024, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Segundo a versão policial, os jovens não teriam obedecido a uma ordem de parada e iniciado uma perseguição que durou cerca de dois minutos, resultando em disparos por parte dos militares. Um dos ocupantes do veículo, Pablo Roberto da Silva Barboza, morreu em decorrência dos ferimentos. Os policiais alegaram legítima defesa.

No entanto, a Defensoria Pública solicitou a análise dos vídeos das câmeras corporais dos agentes por meio do Projeto Mirante. Essa iniciativa, especializada em reconstruir casos de violência estatal com base em imagens e evidências técnicas, concluiu que não houve confronto e que o disparo que atingiu o retrovisor da viatura partiu de um dos policiais. Além disso, nenhuma arma foi encontrada com os jovens ou no trajeto da perseguição, e o veículo não apresentava danos compatíveis com a alegação de rompimento de barricadas.

## Fragilidades na Investigação

Os desembargadores da 8ª Câmara Criminal, ao analisarem o recurso da Defensoria Pública, apontaram diversas fragilidades na investigação inicial. Entre elas, a ausência de perícia no local da ocorrência, na viatura policial e no veículo dos jovens. A arma que supostamente teria sido utilizada contra os PMs também nunca foi localizada.

Com base nessas inconsistências e nas evidências técnicas apresentadas pelo Projeto Mirante, a acusação de tentativa de homicídio contra Renan e Douglas foi considerada insuficiente para sustentar a prisão. A decisão ressalta a importância da análise aprofundada de provas, como imagens de câmeras corporais, para garantir a justiça em casos de confronto com as forças de segurança.