Justiça Solta Alvo de Sanção dos EUA Suspeita de Ligação com PCC
Justiça Federal solta Stella Lemos e mais seis detidos na Operação Exchange, que investiga esquema de lavagem de dinheiro para o PCC e movimentou R$ 10 bilhões.

A Justiça Federal determinou a soltura de Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, presa na semana passada sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão também abrange outras seis pessoas detidas durante a Operação Exchange, deflagrada pela Polícia Federal.
A operação investiga uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Segundo as investigações, o esquema movimentou mais de R$ 10 bilhões, de acordo com a PF. Os principais operadores, segundo a investigação, seriam Victor Henrique de Oliveira Shimada e Ygor Fokin Saviolly, que utilizavam empresas como Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia LTDA e Hi Quality Importação e Distribuição LTDA para circular e ocultar recursos ilícitos.
Os dois homens atuavam como "doleiros", recebendo dinheiro de clientes para ocultar sua origem e realizando operações complexas, como transferências para o exterior (inclusive em euros para Portugal), conversão para Bitcoin e divisões de valores em contas nos Estados Unidos. O grupo também teria negociado produtos contrabandeados, como alho e cebola da Argentina.
Stella, prima de Shimada, é apontada como sua secretária e intermediária na coleta de grandes quantias, prestando apoio logístico às operações. Ela e Shimada foram incluídos na lista de sanções do governo dos Estados Unidos dias antes da operação da PF. As autoridades americanas afirmam que a organização lavou mais de US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 155 milhões) de atividades criminosas nos EUA.
Segundo o O Globo, a divulgação das sanções americanas antecipou a ação da PF, que ainda tentava localizar Shimada. O diretor da PF, Andrei Rodrigues, admitiu que a divulgação externa "prejudicou" a operação, pois Shimada, considerado foragido, não foi localizado.
A Justiça Federal, ao revogar as prisões, impôs medidas cautelares aos soltos, como o uso de tornozeleira eletrônica, a entrega dos passaportes, a proibição de contato entre os investigados e a obrigação de comparecer periodicamente à Justiça. Ygor Saviolly já estava preso nos Estados Unidos, enquanto Shimada segue foragido.