Justiça mantém afastamento de vereadores da Serra suspeitos de corrupção

Justiça do Espírito Santo mantém afastamento de quatro vereadores da Serra suspeitos de esquema de propina para regularização de imóveis.

Justiça mantém afastamento de vereadores da Serra suspeitos de corrupção

## Nova Derrota Judicial para Parlamentares Afastados

Quatro vereadores afastados da Câmara Municipal da Serra, no Espírito Santo, sofreram mais uma revés na Justiça e permanecem impedidos de reassumir suas funções legislativas. A decisão, proferida pelo juiz Gustavo Grillo Ferreira da 2ª Vara Criminal da Serra, negou um pedido de reconsideração apresentado pelas defesas dos parlamentares Saulinho da Academia (PDT), Cleber Serrinha (MDB), Wellington Alemão (Rede) e Teilton Valim (PDT). Eles estão afastados de seus cargos desde setembro de 2025, após o acolhimento de uma denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES).

## Esquema de Propina e Regularização de Imóveis

Os vereadores são suspeitos de integrar um esquema de corrupção passiva, com supostos pagamentos de propina que poderiam chegar a R$ 100 mil. A investigação aponta que o esquema estaria ligado à aprovação de regras para a regularização de imóveis. De acordo com a acusação, os parlamentares teriam negociado a apresentação e aprovação de propostas de interesse particular em troca de vantagens indevidas. A motivação para o suposto esquema e o envolvimento dos vereadores ainda estão sob investigação judicial.

## Argumentos da Defesa e Decisão do Juiz

Na tentativa de retornar às suas atividades, as defesas dos vereadores argumentaram que o afastamento já ultrapassava 265 dias, que a fase de depoimentos de testemunhas de acusação havia sido concluída e que os projetos de lei em questão já haviam sido votados. Contudo, o magistrado considerou que os motivos que justificaram o afastamento inicial ainda persistem. O juiz destacou que o retorno dos réus ao Legislativo poderia comprometer a coleta de provas documentais adicionais e permitir que retomassem uma "autoridade administrativa e ingerência política" que seria prejudicial ao andamento do processo.

## Indícios de Atuação Indireta

Um dos pontos levantados pelo juiz em sua decisão foi a informação, apresentada recentemente pelo Ministério Público, de que Saulinho da Academia, ex-presidente da Câmara, estaria exercendo influência indireta em assuntos administrativos da Casa. Essa alegação reforçou, na avaliação do magistrado, a necessidade de manter a medida cautelar de afastamento.

## Histórico de Derrotas Judiciais

Esta nova decisão judicial ocorre cerca de dois meses após outra derrota para os vereadores. Em maio, o mesmo juiz já havia negado pedidos para anular gravações que fundamentam a investigação, para afastar a denúncia do MPES e para encerrar o processo. Na ocasião, a perícia confirmou a autenticidade dos áudios, e o juiz considerou que a gravação feita por um dos participantes não era ilícita. A denúncia do MPES também foi considerada suficiente em sua descrição dos fatos atribuídos aos acusados. O juiz ressaltou que uma eventual absolvição só poderá ser analisada ao final da instrução processual.